Portugal: Empresa garante que vai trazer mais 24 motoristas já identificados de Cabo Verde

O responsável da empresa de transportes rodoviários na Península de Setúbal Alsa Todi, em Portugal, garantiu que vai contratar mais 24 motoristas já identificados de Cabo Verde para virem juntar-se aos 51 que já cá estão.

O diretor geral da Alsa Todi, Juan Piña, deu essa garantia em declarações exclusivas à Inforpress, explicando que devido à falta de mão-de-obra em Portugal e a necessidade de mais motoristas, foram a Cabo Verde, através de indicação de um cabo-verdiano que já estava a trabalhar na empresa e que os pôs em contacto com uma consultora no Mindelo.

O processo de trazer os motoristas foi “demorado”, por questões burocráticas, segundo Juan Piña, já que na segunda semana de Agosto foram feitas provas aos 133 motoristas que decorreram durante uma semana, em dois autocarros alugados, sendo que no final, 75 motoristas “reuniam as características de qualidade e do conhecimento” que se exigiam.

Com número de motoristas suficientes para virem a Portugal, nas últimas duas semanas de Agosto foi tratada toda a documentação para dar entrada na embaixada, um processo que só foi concluído na última semana de Outubro com a atribuição de visto de trabalho e vinda de 51 motoristas, depois de viagens de representantes da empresa ao arquipélago e encontros com autoridades cabo-verdianas e portuguesas.

“A mim surpreendeu-me que dos 133 motoristas, 75 ficaram aprovados, e a sensação é que os que já estão aqui são excelentes e com vontade de trabalhar (…). Estamos a tratar para que outros 24 também venham, apesar de neste momento não estarmos com tanta pressa, mas acredito que em um mês e meio estarão cá”, garantiu.

Juan Piña revelou ainda que para o próximo ano também possam vir a precisar de mais 70 ou 80 motoristas para o Porto, já que a Alsa Todi ganhou o concurso para explorar o Lote 2 da Área Metropolitana do Porto, e se não conseguirem motoristas em Portugal, a intensão é trazer de Cabo Verde, dois ou três meses antes para a formação e conhecerem o local antes de começarem a trabalhar.

Neste momento, os motoristas encontram-se em vários hotéis contratados pela empresa que também subsidia o alojamento e alimentação, assim como “antecipou o pagamento para o bilhete de avião” para viajarem de Cabo Verde para Portugal, montante que será pago faseadamente pelos cabo-verdianos, mas que em 12 meses podem ser devolvidos se continuarem na empresa.

“Durante este mês que estiveram em formação vão receber o primeiro salário”, avançou Juan Piña, acrescentado que 40 já terminaram a formação e já estão a trabalhar nas linhas, e que os contratos feitos com os motoristas foram por tempo indeterminado, tendo as mesmas condições que os motoristas que já trabalhavam na empresa.

“A nossa intenção é que nos próximos meses consigam casa para saírem do hotel (…), consigam integrar-se e para no final de dez a 12 meses possa ser possível fazer o reagrupamento familiar de quem decidir fazer isso”, frisou, assegurando que também já têm segurança social e as outras documentações legais estão a ser tratadas conforme indicação, estando a empresa “muito satisfeita” com as contratações feitas.

Em Julho, a Alsa Todi assinou um acordo com os sindicatos dos transportes, válido até ao final de 2026 e abrangendo os cerca de centenas de trabalhadores da empresa, que prevê, de entre outros, a possibilidade de adesão a um sistema de folgas rotativas, um seguro de acidente de trabalho, a criação de um Prémio de Assiduidade e formação contínua.

Os motoristas cabo-verdianos foram contratados pela Alsa Todi para reforçar o serviço do transporte público rodoviário nos concelhos de Alcochete, Barreiro, Moita, Montijo, Palmela e Setúbal.

Inforpress

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