Reflor-CV permitiu a reflorestação de mais de mil hectares de terreno e criação de mil empregos

A reflorestação de mais de mil hectares de terreno a criação de mais de mil empregos são alguns resultados do Projecto de Adaptação e Resiliência do Sector Florestal em Cabo Verde (REFLOR-CV) implementado de 2017 a 2022.

O projecto cujo término foi marcado hoje, em cerimónia presidida pelo primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva, foi financiado pela União Europeia no montante de 4.880.000 euros e co-financiado pela FAO em cerca de 255 mil euros.

O projecto, executado pelo Ministério da Agricultura e Ambiente nas ilhas de Santiago, Fogo e Boa Vista, tinha como principal objectivo contribuir para o aumento da adaptação e resiliência do sector florestal no País.

Segundo a representante da FAO em Cabo Verde, Ana Touza, esse projecto corresponde a uma reinicialização do sector florestal no século XXI, alavancada pelo desenvolvimento limpo, gestão sustentável dos recursos naturais e renováveis e acção climática de Cabo Verde e do mundo.

Conforme indicou os “valiosos resultados” deste projecto foram organizados em cinco grandes temas, nomeadamente as políticas, pessoas, ecossistemas, capacitação e tecnologias que contribuíram para aumentar a resiliência e a capacidade de adaptação do País para enfrentar os riscos adicionais colocados pelas mudanças climáticas e a promoção da gestão participação das florestas.

O projecto apoiou a revisão da lei florestal e a implementação do plano de desenvolvimento florestal e de prevenção de incêndios. No que toca às pessoas foram mais de mil beneficiários e mais de mil empregos criados em 24 comunidades dos sete concelhos abrangidos nas três ilhas”, disse.

O projecto teve uma forte vertente a nível da formação incluindo estágios profissionais de mais de 300 pessoas e participaram no desenvolvimento de instrumentos de planeamento e gestão florestal.

Em termos de intervenção no terreno, a representante da FAO afirmou que foram mais de mil hectares de terreno que foram reflorestados ou recuperados com a fixação de 350 mil plantas, tendo ainda sido reabilitados ou construídos quatro viveiros.

Um total de 14 estações meteorológicas automáticas foram instaladas em oito ilhas reforçando a capacidade de recolha e divulgação de informação meteorológicas fiáveis e em tempos reais.

Ana Touza alertou, entretanto, que a implementação desse projecto não terá efeitos duradouros se não tiver continuidade, pelo que sugere a implementação de projectos similares em outras ilhas para que o nome da Reflor-CV seja reflectida na sua plenitude.

Por outro lado, garantiu que a FAO está disponível e engajada para apoiar o País nesse desafio.

“Juntos podemos mobilizar parceiros, procurar financiamento e “know how” para que tenhamos uma floresta cada vez mais resiliente e gerida de forma sustentável e com a participação da comunidade para que Cabo Verde seja ainda mais verde”, frisou.

Da parte da União Europeia que financiou quase 90 por cento (%) do custo do projecto a embaixadora Carla Grijó, sublinhou que, com esse financiamento, a União Europeia quis dar uma “contribuição forte” para aumentar resiliência das florestas e melhorar a capacidade de adaptação do País às alterações climáticas e aos riscos que lhes estão associados.

“Este é, aliás, um objectivo em total consonância com a aliança global para o clima, uma iniciativa da União Europeia que visa reforçar o diálogo e a cooperação com os países em desenvolvimento, incluindo países de médio rendimento como Cabo Verde que presta uma atenção especial aos países insulares”, anotou.

Por sua vez o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva congratulou-se com o resultado do projecto, sublinhando que foi um sucesso pelos resultados e pelo contexto.

“Foi um projecto realizado num contexto de seca severa, que o País viveu e ainda vive e tem sequelas desde 2017 e atravessando também um período de pandemia. Isso demonstra a capacidade de execução, convicção e muita resiliência”, disse destacando a questão do reforço institucional e do quadro legal, a contribuição que esse projecto vai dar ao compromisso de redução de emissão de CO2 e na criação de actividades geradoras de rendimento.

Inforpress

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