Santo Antão: Governo confirma deslocalização do centro de expurgo para o porto do Porto Novo

O Governo vai concretizar a promessa feita há, pelo menos, quatro anos, aos produtores agrícolas na ilha de Santo Antão de deslocalizar o centro de expurgo, construído em 2010, para as instalações portuárias no Porto Novo.

Para o efeito, o Ministério da Agricultura e Ambiente assinará, a 03 de Junho, um acordo com a Empresa Nacional da Administração dos Portos (Enapor), que consistirá na instalação e exploração deste centro pós-colheita na zona portuária ainda no decorrer deste ano.

A assinatura do acordo será testemunhada pelo primeiro-ministro no quadro de uma visita a Santo Antão, segundo o programa a que a Inforpress teve acesso.

Os produtores agrícolas em Santo Antão têm estado a insistir na deslocalização, para as instalações portuárias, do centro de expurgo, que se situa nos arredores da cidade do Porto Novo, a quase três quilómetros do porto, medida que está em vias de se efetivar.

Estes produtores consideram que esta infraestrutura, construída há 12 anos para contornar a praga dos mil pés que infesta a ilha de Santo Antão, não tem estado a servir os agricultores, devido, sobretudo, à sua “má localização”, encontrando-se, nesta altura, “praticamente fechado”.

Os elevados custos de funcionamento têm sido outro fator apontado pelo Ministério da Agricultura e Ambiente para justificar o subaproveitamento deste espaço, que somente nos primeiros dois anos de funcionamento gastou quase 11 mil contos em energia elétrica.

O delegado deste ministério no Porto Novo, Joel Barros, confirmou este facto que obrigou o Governo a adquirir um gerador para assegurar o funcionamento deste centro, sobretudo, na pesagem dos produtos.

O centro pós-colheita, operacionalizado em 2013, conseguiu tratar nestes nove anos de funcionamento 681 toneladas de produtos agrícolas colocados nos mercados turísticos do Sal e da Boa Vista, tendo atingido o pico de tratamento nos dois primeiros anos.

Esse facto, segundo este responsável, se deve ao facto de nesses anos os produtores beneficiarem gratuitamente de cartões (embalagem), graças a um stock disponibilizado pelo financiador do projeto (programa Millennium Challange Account).

A partir de 2016 a procura dos agricultores pelo centro para tratamento dos produtos começou a baixar porque tiveram que arcar com os custos das embalagens (250 escudos/cartão), além de outros encargos (transporte e taxas portuárias) que acabaram por onerar o serviço.

O centro de expurgo representou um investimento de 120 mil contos, financiados através do programa Millennium Challange Account, no quadro de uma estratégia do então governo de contornar o embargo imposto, desde 1984, aos produtos agrícolas de Santo Antão devido à praga dos mil-pés.

Inforpress

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