Engenheiro informático leva tradicional jogo de cartas cabo-verdiano para o digital

Spadinha, um tradicional jogo de cartas cabo-verdiano ganhou uma nova vida no mundo digital. Desenvolvida pelo engenheiro cabo-verdiano Rui Andrade, a aplicação é gratuíta e não envolve apostas.

A ideia surgiu de uma necessidade simples: poder jogar Spadinha, um jogo tradicional cabo-verdiano, em qualquer lugar. “Queria jogar Spadinha online e não havia como”, explica o engenheiro responsável pelo projeto, Rui Andrade, lembrando que existem várias versões digitais de jogos de cartas conhecidos como a bisca, mas não deste tradicional jogo cabo-verdiano.

O engenheiro informático de telecomunicações salienta que não tinha experiência anterior no desenvolvimento de videojogos, por isso o projeto representou também uma oportunidade para adquirir novos conhecimentos e explorar uma área diferente.

O jogo lançado em julho deste ano foi desenvolvido pela Fresku Games, estúdio integrado na RA Tecnologias da qual Rui Andrade é proprietário, e é possível joga-lo online no telemóvel com amigos, por exemplo, ou contra jogadores controlados pela Inteligência Artificial (IA).

Mas mais do que criar um jogo para telemóvel, o entrevistado explica que pretende contribuir para a preservação da cultura cabo-verdiana através da tecnologia. “Nós jogávamos spadinha na rua, mas os miúdos de hoje em dia estão mais é nos telemóveis e muitos não sabem como se joga. Então o nosso objetivo também é tentar preservar culturalmente o nosso jogo, a nossa identidade, para a próxima geração”, afirma.

A aplicação é gratuita e permite jogar online com amigos. Os utilizadores podem adquirir elementos como personagens, ambientes e outras formas de personalização. O desenvolvedor explica que o jogo não envolve apostas nem dinheiro real.

Lançado inicialmente para iPhone, o mentor diz que pretende avançar com a versão para Android, que atualmente tem disponível apenas uma versão beta (de teste).  Rui Andrade  afirma que a intenção é melhorar paulatinamente o jogo antes de avançar para novas funcionalidades.

Segundo dados avançados pelo engenheiro, mais de 600 pessoas fizeram o download do jogo em poucos meses, dos quais 25 por cento são ativos regularmente.

O projeto está virado também para a diáspora. Além de jogadores em Cabo Verde, existem utilizadores em Portugal, França, Itália, Japão, Irlanda, Espanha e Inglaterra. Para o responsável pelo projeto, esta dimensão é particularmente importante, uma vez que o jogo pode funcionar como uma forma de manter uma ligação às brincadeiras e tradições cabo-verdianas.

Conforme o entrevistado, ainda não foi possível apresentar o jogo às entidades governamentais mas é algo que gostariam de fazer.

Lançar novos jogos

O Spadinha é apenas o primeiro projeto da Fresku Games. Rui Andrade revela que a ambição é lançar outros jogos que já estão em desenvolvimento e que a intenção é disponibilizá-los também gratuitamente, mantendo eventuais receitas associadas sobretudo à personalização.

“Primeiro queremos criar um bom produto, estabilizar e depois pensamos em vender e nos custos”, resume o responsável, que defende uma estratégia de desenvolvimento gradual, com prioridade para a qualidade e acessibilidade dos produtos.

A ambição é, assim, ir além de um único jogo e explorar a criação de produtos digitais inspirados na cultura cabo-verdiana, levando para as novas gerações elementos de uma identidade que tradicionalmente eram transmitidos de forma presencial, de geração em geração.

Além da Fresku Games, a RA Tecnologias é uma startup que tem outras marcas e está a apostar em projetos na área digital.

Balai Notícias

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