Espanha financia com 55 mil contos estudo sobre melhoria dos transportes em Cabo Verde

O Governo de Espanha, através do Instituto de Crédito Oficial, vai financiar em 55 mil contos (500 mil euros) estudos sobre a melhoria dos transportes para o turismo em Cabo Verde, conforme acordo que entra hoje em vigor.

O acordo de financiamento não reembolsável celebrado entre o Governo de Cabo Verde e o Instituto de Crédito Oficial espanhol, a que a Lusa teve acesso, visa ajudar a melhorar a conectividade dos transportes domésticos (entre ilhas) e internacionais e a articulação entre os diferentes meios de transporte (aéreo, marítimo e terrestre), no sentido de facilitar a circulação de passageiros e cargas relacionadas com o turismo para e dentro do arquipélago.

A Espanha criou, em 2021, uma linha de financiamento não reembolsável do Fundo de Internacionalização Empresarial (Fiem) para estudos no âmbito do Plano de Recuperação, Transformação e Resiliência, no montante de 50 milhões de euros.

Neste sentido, a Secretaria de Estado do Comércio concedeu ao Ministério das Finanças e do Fomento Empresarial de Cabo Verde o financiamento não reembolsável de 500 mil euros para a realização dos estudos.

Com esse valor, o Governo pretende realizar um “diagnóstico aprofundado” da situação atual do transporte relacionado com o setor turístico para e dentro de Cabo Verde, incluindo os principais constrangimentos e oportunidades de desenvolvimento, e ter recomendações específicas, estratégia e plano de ação integrados.

O desembolso vai ser efetuado pelo Caixabank, instituição bancária designada pelo Instituto de Crédito Oficial (ICO), entidade que atua em nome e representação do Governo da Espanha, na qualidade de seu agente financeiro.

O Governo notou que Cabo Verde é um país insular, composto por 10 ilhas, e com uma economia micro, fortemente impulsionada pelo turismo, com uma comunidade emigrada nos quatro cantos do mundo.

Mesmo assim, quer tirar partido da localização geoestratégica, transformando o país, a médio prazo, numa plataforma de negócios e circulação de pessoas, bens e serviços, atraindo investimento direto estrangeiro em setores como transportes, turismo, indústria de logística de distribuição internacional, processamento para exportação e fornecimento de vários serviços.

O turismo representa 25% do Produto Interno Bruto (PIB) de Cabo Verde, que em 2022 recebeu um recorde de 835.000 turistas, numa clara recuperação após as quebras derivadas da pandemia de covid-19.

Os voos domésticos eram operados desde 17 de maio de 2021 apenas pela angolana BestFly, em regime de concessão emergencial de seis meses atribuída pelo Governo cabo-verdiano.

A partir de 24 de outubro do mesmo ano, a BestFly passou a operar apenas com a Transportes Interilhas de Cabo Verde (TICV, companhia que adquiriu em julho de 2021), terminando o regime de concessão emergencial.

A CV Interilhas, liderada (51%) pela portuguesa Transinsular (grupo ETE), detém a concessão do serviço público de transporte marítimo interilhas, mas há outro operador privado na rota São Vicente-Santo Antão.

 

Lusa

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