Estaleiros navais da Cabnave continuam com contas no ‘vermelho’

Os estaleiros navais da Cabnave, os únicos em Cabo Verde, detidos pelo Estado, repetiram em 2021 os prejuízos do ano anterior, de quase 56.000 euros, mantendo essencialmente a atividade de reparação de navios.

De acordo com o documento da auditoria independente ao relatório e contas de 2021 da Cabnave, consultado hoje pela Lusa, a empresa, com estaleiros no Mindelo, ilha de São Vicente, melhorou os prejuízos de 6,9 milhões de escudos (62.500 euros) em 2020 para um resultando negativo em pouco mais de 6,1 milhões de escudos (55.900 euros) no ano passado.

Em 2019, aqueles estaleiros, que o Governo pretende privatizar, registaram lucros de 2,3 milhões de escudos (20.800 euros).

Os auditores explicam que a Cabnave reconhece no seu balanço de 2021 valores a receber de clientes no montante líquido superior a 151,5 milhões de escudos (1,3 milhões de euros), equivalente a 60% do total do ativo da empresa, incluindo 109,2 milhões de escudos (um milhão de euros) “considerados de cobrança duvidosa”.

O único estaleiro cabo-verdiano viu ainda os seus capitais próprios deteriorem-se em 2021, para 123,8 milhões de escudos (1,1 milhões de euros), face aos 130 milhões de escudos (1,2 milhões de euros) em 2020.

O volume de negócios da Cabnave atingiu os 312,9 milhões de escudos em 2021 (2,8 milhões de euros), um ligeiro aumento face aos 293,8 milhões de escudos (2,6 milhões de euros) em 2020.

A empresa contava em 2020 com 149 trabalhadores e a administração admitiu então problemas financeiros: “As dificuldades de tesouraria foram grandes durante praticamente todo o tempo, só aliviadas mais para o final do ano com a concretização de uma operação de financiamento à Tesouraria, no âmbito da linha de crédito para mitigação dos efeitos da covid-19, com garantia do Estado a 50% do valor do empréstimo”.

O Governo cabo-verdiano afirmou no início de 2019 que estava à procura de privados com capacidade para investir até 12 milhões de euros naquele que é o único estaleiro naval do país.

O processo de privatização, de que não se conhecem mais detalhes até ao momento, está a ser preparado pela Unidade de Acompanhamento do Setor Empresarial do Estado (UASE), do Ministério das Finanças, e o objetivo é encontrar um parceiro “com conhecimento e especializado no setor” para fazer esses investimentos necessários.

A ideia, assumiu o Governo liderado por Ulisses Correia e Silva, passa por fazer com que os estaleiros possam ter “uma dimensão mais internacional”.

Lusa

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