Fogo: Pescadores reivindicam “desassoreamento urgente” do cais de pesca

Os pescadores de São Filipe voltaram a reivindicar uma “intervenção urgente” das autoridades no desassoreamento do cais de pesca para facilitar a operação da faina pesqueira e para garantir “maior segurança” aos mesmos.

Depois de uma espera de mais de dois anos, várias dezenas de pescadores que operam no cais de pesca do porto de Vale dos Cavaleiros indicam que a situação se tornou “insustentável com acumulação de areia” e que tal “não compadece com mais espera”, defendendo que a intervenção deve ser “urgente”.


O presidente da Associação dos Pescadores de São Filipe, Jorge Nilton, referiu que a dragagem da areia no cais de pesca já foi analisada várias vezes com as autoridades e na comunicação social, explicando que esta infra-estrutura está a perder a sua utilidade.


Neste momento, continuou, “nem as embarcações de médio porte consegue operar neste espaço”, que está a servir apenas para colocação de redes.


“Até as embarcações de boca aberta podem sentar-se na areia, dependendo da maré. Queremos uma dragagem séria e não retirar, duas ou três carradas de areia, e deixar tudo na mesma”, advogou o presidente da associação dos pescadores.


A mesma fonte observou que é necessário deixar o cais como no início, e, anualmente fazer a dragagem por se tratar de um espaço fechado e em que não há corrente para retirar a areia que entra e fica acumulada nesta área.


Ligado ao desassoreamento, este apontou outra preocupação que tem estado a afectar a captura do pescado e a sua comercialização a um preço elevado, devido à falta de investimento em embarcações de maior porte.


“Ninguém vai investir numa embarcação para colocar neste cais correndo o risco de perdê-la, não é só o problema de areia, porque quando o mar está agitado não há acesso para entrada e saída em segurança e tudo isso está afectar a captura de pescado”, disse Jorge Nilton.


Segundo o mesmo, as pessoas não estão a investir sem ter um cais em condições para receber embarcação de médio e grande porte sem risco de acidente ou de ficar parado sem poder sair para o mar.


Apontou o exemplo de um operador que investiu em duas embarcações e devido a estas situações, em pouco tempo, levou-as para Brava e depois para a Cidade da Praia.


Os pescadores exortam as autoridades para os apoiarem no desassoreamento do cais de pesca porque, assim como está, não facilita a operação, sobretudo no regresso das embarcações.


António Dias lembrou que fizeram o pedido “várias vezes”, mas “sem sucesso”, isto apesar de a areia que se retira do espaço poder ser comercializada, opinião partilhada pelos companheiros Henrique Alves e Zito Tavares.


Nas duas intervenções realizadas no início de 2020, com recurso a máquina, explicou um dos pescadores, foi junto à terra e não junto ao cais onde a areia está acumulada em grande quantidade e uma semana depois o arrastadouro voltou a assorear.


Esta situação no dizer dos pescadores tem tido um impacto negativo na vida deles e das suas famílias e por isso querem uma “intervenção mais rápida possível” para garantir a segurança de mais de duas centenas de pescadores que operam neste espaço.


A profundidade do cais de pesca aquando da sua construção era de mais de três metros e meio e na entrada era de cerca de sete metros, mas, neste momento, devido ao assoreamento junto ao cais, a profundidade é de cerca de um metro.


Qualquer embarcação de boca aberta pode assentar na areia e na entrada de aproximadamente dois metros, não permitindo assim que embarcações de médio ou grande porte, entre no cais para operar, e muitas vezes fazem transbordo do pescado para as embarcações de boca aberta para trazer para a terra.


Há cerca de três anos que o problema de assoreamento tem sido colocado com frequência e as autoridades fizeram uma tentativa para proceder o desassoreamento, trazendo uma empresa especializada, mas o equipamento revelou inadequado e houve necessidade de meter uma máquina retroescavadora para desassoreamento parcial, mas pouco tempo voltou a precisar de nova intervenção.


No passado mês de Fevereiro, aquando da comemoração do Dia Nacional dos Pescadores, o presidente da Câmara Municipal de São Filipe, Nuías Silva, prometeu aos pescadores que iria dialogar com o ministro da Economia Marítima para mobilizar recursos para desassoreamento do cais de pesca que representa um perigo acrescido para os pescadores.


Para outros operadores o desassoreamento seria uma alternativa para abastecer o mercado de construção civil com areia já que há vários meses que apanha da areia nas praias da ilha estão interditadas.


Inforpress/Fim

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