Fogo: Promotores trabalham para que o queijo da região de Monte Grande obtenha o selo de origem – Pedro Matos

Associação Ka Djidja, que em parceria com as associações locais de Monte Grande organiza a II edição da Festa do Queijo, está a trabalhar para que o queijo dessa região obtenha o selo de origem.

A Associação Ka Djidja, criada recentemente, tem por finalidade promover o desenvolvimento da agricultura e pecuária na região de Monte Grande e contribuir para o desenvolvimento socioeconómico da comunidade, com base no espírito de entreajuda e envolvimento de todos nas causas e projetos transformadores da comunidade.

O seu presidente, Pedro Matos, disse que a Festa do Queijo, organizada pela associação e que já vai na sua segunda edição, tem uma pedagogia de “pé no chão” para abraçar os “muitos projetos que têm, de forma gradativa”, sendo um deles a obtenção do selo de origem para o queijo da região de Monte Grande.

“O queijo do Fogo não pode ser comparado como um queijo qualquer no mercado nacional. Tem regiões na ilha em que as cabras alimentam só de plantas endémicas e ervas medicinais que têm influência positiva no leite e, consequentemente, no queijo e não pode ser vendido como queijo qualquer”, considerou a mesma fonte.

Para Pedro Matos, o selo de origem “é fundamental” para a valorização do produto, sublinhando que para que o queijo tenha uma valorização é preciso que seja atribuído um selo a destacar que se trata de um produto diferenciado e que pode ser colocado num local de destaque.

“O selo de origem aumenta a qualidade e terá um efeito positivo em fenómenos que está a preocupar-nos, como o êxodo rural e a emigração”, afirmou o responsável da associação, admitindo que há muitas pessoas que estão a abandonar a criação porque o rendimento obtido é consumido na compra de ração e milho para alimentação dos animais.

Para o presidente da Associação Ka Djidja, “existem recursos endógenos necessários” para capitanear o desenvolvimento local, de forma sustentável, sem trazer nada de fora, a não ser recursos humanos.

“Podemos gravitar o desenvolvimento da região de Miguel Gonçalves a Monte Largo e de Patim à Serra, através da agropecuária, transformando-a numa macrorregião agropecuária do Fogo”, advogou Pedro Matos, explicitando que os outros extremos têm uma configuração climática que lhes confere uma certa vantagem.

“Nós temos uma potencialidade agropecuária, mas por questão de chuvas não conseguimos ter a produção”, defendeu a mesma fonte, para quem se forem canalizados os recursos de maneira estratégicos na área de pecuária haverá “uma produção extraordinária” naquela região, lembrando que ela dispõe de jovens capacitados, mas que precisa, por exemplo, de um centro veterinário que funcione.

“É complicado convencer o consumidor que o seu produto de origem é rastreado por um processo de segurança alimentar quando não tem um centro veterinário que funciona”, concluiu.

Inforpress

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