Fogo: Trabalhadores com três meses de salário em atraso apreenderam uma das viaturas da empresa Elevo

Um grupo de trabalhadores da ilha de Santiago que trabalha na obra de requalificação do centro histórico de São Filipe apreendeu hoje uma das viaturas da empresa Elevo, responsável pela execução da obra.

Um dos trabalhadores, Carlos Varela, disse que decidiram tomar esta medida porque estão com três meses de salários em atraso e que os trabalhadores que vieram de Santiago para o efeito não têm meios para sobreviver na ilha do Fogo e todos deixaram famílias na Cidade da Praia que estão em situação idêntica e com problemas de sobrevivência.

“Aprendemos a viatura da empresa até que a situação fique resolvida”, disse Carlos Varela, salientando que todas as semanas a empresa garante o pagamento para segundas e terças-feiras e que esta semana, depois de aguardarem segunda e terça pelo pagamento, que não aconteceu, decidiram manifestar e prender uma das viaturas, apoderando-se da respectiva chave.


Este disse que antes passaram pelo escritório da empresa e não encontraram ninguém e começaram a andar pelas ruas à procura dos responsáveis da empresa para obterem alguma informação e que junto de uma das estações de combustíveis encontraram duas viaturas da empresa e fizeram a apreensão de uma.


Os trabalhadores querem que os responsáveis locais chamem o dono da empresa para resolver o problema porque, segundo Carlos Varela, estão com três meses de renda em atraso e estão com vergonha do dono da casa, mas também estão sem meios para comer.


Edmilson Cardoso, outro trabalhador, disse que não tem contrato directo com a empresa e que foram contratados por um subempreiteiro que está na ilha de Santiago e que estão sempre em contactos, via telefone, e que ainda hoje mantiveram contacto.


Segundo o mesmo, o subempreiteiro disse aos trabalhadores para poderem tomar a iniciativa porque, se estivesse aqui na ilha, também participava na “luta”.


O trabalhador acrescentou que não queria fazer apreensão da viatura, mas que os trabalhadores esperavam que a empresa, que pagou aos trabalhadores de Chã das Caldeiras na sequência da manifestação, também os pagassem, o que não aconteceu.


Edmilson Cardoso indicou que há dois meses perguntaram o que estava a passar e como resposta foram informados de que a empresa estava à espera que o governo pagasse para poder pagar os trabalhadores, salientando que querem uma explicação da empresa e do Governo.


O contrato, explicou, era para colocar 100 mil pedras e o grupo de trabalhadores já colocou mais de 140 mil pedras e a factura está por pagar, sublinhando que já colocaram ainda mais quase 200 mil pedras que também aguarda pelo pagamento, lembrando que são todos responsáveis de família e que vieram trabalhar no Fogo porque estavam a necessitar.


“Não estamos a pedir nada a ninguém, estamos a exigir o que é nosso”, disse Edmilson Cardoso, adiantando que se a empresa não pagar o grupo vai continuar a manifestação e fazer apreensão de todas as viaturas da empresa.


“Ao menos que nos pague um mês porque o que temos dentro dá para pagar a renda, dívidas e para comprar passagem para regressar à Praia”, finalizou.


Estes trabalhadores estão a efectuar calçada na obra de requalificação do centro histórico da cidade de São Filipe.


Um dos responsáveis da empresa presente no local não quis prestar declarações, alegando que ele responde pelas estradas e não pela requalificação do centro histórico.


Inforpress/Fim

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