Formalização permitiu a Cabo Verde passar de cem para 700 empreiteiras, diz ministra Eunice Silva

Formalização permitiu a Cabo Verde passar de cem para 700 empreiteiras, diz ministra Eunice Silva

A formalização no setor da construção civil e obras públicas em Cabo Verde permitiu passar de uma centena de empresas para cerca de 700 em pouco mais de cinco anos, baixando para metade os custos das empreitadas, disse hoje a ministra da tutela.

“De cerca de cem empresas no mercado operando em 2016, nós temos neste momento cerca de 700 empresas a operar. Tudo fruto de uma ofensiva de legalização e formalização do setor”, afirmou no parlamento a ministra das Infraestruturas, Ordenamento do Território e Habitação, Eunice Silva, ao intervir no debate anual sobre o estado da Nação, na cidade da Praia.

A governante foi questionada durante o debate, pelos deputados, sobre eventuais desvios na contratação de obras públicas, que rejeitou.

“Nós conseguimos recentrar os custos. As nossas empreitadas, hoje em dia, em termos de custos, estão em cerca de duas a três vezes menos o valor das empreitadas habitualmente no passado, isso pode ser conferido. Sem mexer na qualidade”, garantiu.

“Trabalhamos com empresas licenciadas em Cabo Verde e empresas de direito cabo-verdiano. Todas têm credencial, todas têm alvará, com quem nós trabalhamos”, disse ainda.

Acrescentou que nos últimos anos o “défice qualitativo” de fogos em Cabo Verde passou de 29 mil para a estimativa atual de 14.000, sendo a prioridade a eliminação das barracas, situação que afeta sobretudo as ilhas turísticas.

“Estamos a trabalhar afincadamente para acabar com as barracas nas ilhas da Boa Vista e do Sal”, afirmou a ministra Eunice Silva.

A Assembleia Nacional de Cabo Verde discute hoje o estado da Nação, debate anual que encerra o ano parlamentar, com a presença do primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, quando o país vive uma “emergência social e económica”.

Depois de dois anos (2020 e 2021) marcados pelo impacto da crise económica provocada pela pandemia de covid-19 e ausência de turismo, setor que garante 25% do Produto Interno Bruto (PIB) e do emprego, a escalada de preços no mercado internacional, provocada pela guerra na Ucrânia, volta a criar dificuldades à economia cabo-verdiana em 2022.

Ainda a recuperar do impacto económico da pandemia e a enfrentar há quatro anos uma seca severa, o país recorre a combustíveis fósseis para produzir cerca de 80% da eletricidade de que necessita e importa 80% dos alimentos que consome, esperando para este ano, segundo o Governo, uma taxa de inflação de 8%, a mais alta em 25 anos.

Este cenário, que marcará o debate sobre o estado da Nação, levou o chefe do Governo a declarar há cerca de um mês a situação de emergência social e económica no país, anunciando mais medidas de mitigação dos preços, com um custo total de mais de 80 milhões de euros.

O debate sobre o estado da Nação encerra os três dias de sessão parlamentar, que se iniciou na quarta-feira, e marca o fim do ano parlamentar, com a interrupção dos trabalhos, habitualmente, até meados de setembro.

 

Lusa

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