Fundação Maio Biodiversidade aposta em mudas de plantas nos viveiros da Calheta e Parque Natural da ilha

A escola da Calheta, a segunda maior comunidade do Maio, depois da cidade do Porto Inglês, e o Parque Natural do norte do Maio, foram selecionados pela Fundação Maio Biodiversidade para a produção de mudas de plantas nos viveiros.

Trata-se de um projeto idealizado e implementado pela Fundação Maio Biodiversidade que, também, aposta na criação de campos de produção de forrageiras, com o propósito de ajudar os criadores na transição do pastoreio livre para o controlado, em parceria com a Biflores da ilha Brava.

A produção de mudas de plantas nos viveiros nestas duas instituições, segundo avançou à Inforpress o coordenador do projeto da Fundação Maio Biodiversidade, Jairson da Veiga, enquadra-se no âmbito do projeto “Gestão Participativa Efetiva das Áreas Protegidas em Maio”.

A iniciativa conta com o envolvimento da equipa de monitorização do Complexo das Áreas Protegidas do Maio, conhecida como os Vigilantes da Natureza da Fundação Maio Biodiversidade (FMB).

“O objetivo é de produzir mudas de plantas nativas, endêmicas e fruteiras para apoiar no restauro de ecossistemas degradados do Parque do Norte, mas também no enriquecimento de áreas verdes na comunidade”, referiu, afirmando que integram ainda esta equipa técnicos da FBD e estudantes universitários.

Entre Maio a Junho, sustentou, a equipa produziu mais de dois mil pés de plantas que incluem as endémicas marcela, odjo de boi e agrião de roxa, as nativas como Tarrafe e Figueira, e as fruteiras como tamarindo, zimbrão e calabaceira para esta que se afigura como uma das ilhas mais secas do país, com uma paisagem muito árida.

“As mudas crescidas serão transplantadas através de atividades de mobilização e sensibilização da população local mediante “Concurso Zona mais Amiga do Ambiente” que terá início logo após a queda das primeiras chuvasdo ano, prevista para os próximos tempos.

Referenciados pelos seus desempenhos considerados cruciais na conservação e na promoção do ecoturismo responsável na ilha, os Vigilantes da Natureza dedicam-se à pintura de trilhas com pedras, uma iniciativa destinada a aprimorar o acesso e a orientação na maior e mais visitada área protegida da ilha, o Parque Natural do Norte do Maio.

Com uma extensão total de 25.600,55 hectares, (cerca de 26 mil campos de futebol) abarcando uma área terrestre (4.713,9 hectares) e uma marinha (20.886,6), o Parque Natural do Norte do Maio ocupa a parte mais setentrional da ilha, abrangendo a linha de costa entre a Ponta de Calhetinha e a desembocadura da Ribeira da Lomba da Mantenha.

Segundo os responsáveis da FMB, as trilhas pintadas não só proporcionam uma experiência visualmente marcante aos visitantes, como também servem como guias leais para uma movimentação controlada dentro do parque.

“Ao utilizar materiais naturais como pedras para demarcar os caminhos, a equipa respeita e preserva a paisagem local, minimizando o impacto ambiental. Além disso, as trilhas pintadas oferecem uma maneira segura e intuitiva para os visitantes explorarem a beleza natural do Parque Norte, evitando assim danos desnecessários ao ecossistema delicado da região”, garantem.

Implementado no âmbito do projeto Biopama, com o apoio financeiro da União Europeia e da Organização dos Estados de África, das Caraíbas e do Pacífico, o projeto conta com a parceria da Câmara Municipal do Maio e de outras organizações não governamentais.

O vereador da Sustentabilidade Ambiental da Câmara Municipal do Maio esclareceu à Inforpress nesta “reportagem no âmbito do projeto Terra Africa, da CFI – Agência francesa para o desenvolvimento dos media”, que a autarquia não tem qualquer intervenção na produção de mudas de plantas nos viveiros, alegando que são da exclusiva responsabilidade da FMB.

Ainda assim, Emílio Ramos realçou a importância desta aposta, asseverando que “o Parque Natural Norte da Ilha do Maio é a área protegida mais importante da ilha, em termos de riqueza e diversidade de recursos afetos à biodiversidade marinha e terrestre”.

“Em parceria com a Delegação do Ministério da Agricultura e do Ambiente e da Fundação Maio Biodiversidade temos trabalhado na sensibilização para a proteção, preservação e valorização ambiental e na promoção da ilha do Maio como Reserva Mundial da Biosfera da UNESCO”, frisou

A título de exemplo disse que neste trabalho conjunto com a FMD desenvolveram ações de sensibilização nas escolas e nas comunidades, trabalhos no Núcleo de Fiscalização Conjunta na Área Ambiental.

Neste caso particular, afiançou à Inforpress que têm contado com a presença de outras instituições como as Delegações do Instituto Marítimo e Portuário e da Inspeção Geral das Pescas, a Sociedade de Desenvolvimento Turístico das Ilhas de Boa Vista e Maio, e a Polícia Nacional.

Além disso, observou, apostam na sensibilização às áreas protegidas, mediante promoção de visitas guiadas, para o seu conhecimento e consciencialização da sua proteção.

“Neste momento, temos foco na dinamização de atividades para promover a ilha como Reserva da Biosfera. Maio pertence à Rede das Reservas da Biosfera da CPLP e, tal como Fogo, tem em curso uma consultoria para elaboração do Plano de Ação da Reserva sob coordenação da Direção Nacional do Ambiente”, rematou Emiliano Ramos.

Com pouco mais de 1100 habitantes, de acordo com o Censo 2010, a vila da Calheta do Maio gaba-se de ser o segundo maior centro populacional de uma ilha das mais pequenas do arquipélago cabo-verdiano com cerca de 8500 habitantes, um número superior a maioria dos bairros da Cidade da Praia.

Dotada de praias desertas e floresta verdejante, que deslumbram os visitantes, a população da Calheta que vive, tradicionalmente da pecuária e da pesca, vê com bons olhos o facto da única escola da localidade ser “abençoada” com este projeto”, pela FMB, razão pela qual depositam grandes esperanças num futuro vindouro.

Inforpress

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