Governador do BCV diz que mercado de valores mobiliários em Cabo Verde continua longe do seu potencial

O governador do Banco de Cabo Verde disse hoje, na Praia, que, apesar dos avanços registados nos últimos anos, o alcance e a profundidade do mercado de valores mobiliários em Cabo Verde continua longe do seu potencial.

Óscar Santos fez esta afirmação durante o seu discurso na abertura do workshop sobre títulos sustentáveis e produtos financeiros complexos promovido pela Auditoria Geral do Mercado de Valores Mobiliários (AGMVM).

Óscar Santos realçou que no próximo ano o país celebra 50 anos de Independência, mas o mercado de capitais foi instituído apenas há 26 anos. No entanto, sublinhou que, recentemente, tem experimentado alguns avanços, nomeadamente com a emissão de alguns instrumentos inovadores, como títulos verdes, títulos azuis, estando em perspectiva a emissão também de títulos destinados à diáspora.

“Apesar dos avanços nos últimos anos, o alcance e a profundidade do mercado de valores mobiliários em Cabo Verde continua ainda longe do seu potencial”, observou.

Conforme justificou, algumas empresas com dimensão relevante, muitas das quais com capitais públicos, têm-se financiado no mercado através de emissões de títulos de dívida, o mercado accionista não regista, há 15 anos, qualquer emissão de acções, nem para abertura de capital nem para o aumento de capital das empresas cotadas.

“Reconhecidamente, almejamos melhor desempenho do mercado de valores mobiliários, são notáveis os esforços do regulador, a auditoria geral do mercado de valores imobiliários, a Bolsa de valores, alguns emitentes e investidores para impulsionar o desenvolvimento do mercado de valores mobiliários em Cabo verde”, disse.

Para o mesmo, a regulação de novos instrumentos financeiros, além de promover a diversificação dos instrumentos e aproximar o mercado das demandas dos emitentes, contribui para o investimento na transição energética e desenvolvimento social do país.

“Com este workshop, sobre títulos sustentáveis de produtos financeiros complexos, a AGMVM visa aperfeiçoar o conhecimento das características e especificidades da emissão de novos instrumentos financeiros que foram recentemente adoptados no mercado de valores mobiliários do país”, ressaltou, assegurando que  o evento contribuirá para a melhoria das decisões de financiamento e de investimento.

Por seu lado, a auditora geral do mercado de valores mobiliários, Ana Semedo, completou que o workshop visa dar a conhecer melhor aos operadores do mercado de valores mobiliários os novos instrumentos financeiros que o país já adoptou há dois anos.

“São os títulos sustentáveis, os títulos verdes, azuis, sociais e, também, os produtos financeiros complexos”, afirmou, explicando que esses instrumentos têm características especiais e, por isso, a AGMVM, enquanto regulador de mercado de capitais, entendeu fazer regulamentos específicos para esses investimentos financeiros, com vista a garantir a melhor protecção dos que vão investir nesses produtos.

Explicou que estes produtos, não sendo novos, estão sendo alvo deste workshop porque, mesmo tendo experiência da sua emissão, notou-se que há ainda um caminho a percorrer.

“A experiência é relativamente recente, só foram publicados os primeiros regulamentos em 2021 e as primeiras emissões ocorreram em 2022. Na experiência detectamos que todos nós, os intermediários financeiros, os investidores, os emitentes e o regulador precisamos de fazer uma aprendizagem”, reconheceu, apontando como exemplo melhorias a serem feitas em alguns documentos.

Inforpress

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