Governo regional do Príncipe seduz Cabo Verde para industrialização da ilha

Presidente do Governo Regional do Príncipe

Governo regional do Príncipe seduz Cabo Verde para industrialização da ilha

O presidente do governo regional do Príncipe pediu hoje em Cabo Verde o apoio dos empresários no arquipélago à industrialização daquela ilha e aumento das exportações como alternativa ao turismo, em quebra face à pandemia de covid-19.

Em entrevista à agência Lusa à margem da visita que está a realizar a Cabo Verde, Filipe Nascimento explicou que esta deslocação surge da necessidade do reforço das relações com as autoridades, Estado, autarquias, universidades e investidores cabo-verdianos, recordando que 80% da população daquela ilha é cabo-verdiana ou descendente deste arquipélago.

 

“Há muitos pontos de interesse comum que ligam os dois Estados, em particular a Região Autónoma do Príncipe e diversos municípios cá em Cabo Verde, desde logo pelo indicador, de extrema relevância para nós, que é o facto de na ilha do Príncipe cerca de 80% da população ser cabo-verdiana e descendente. Faz com que haja aqui um forte elo de ligação e qualquer investimento (…) será também nos cabo-verdianos”, afirmou Filipe Nascimento, que lidera aquela região autónoma de São Tomé e Príncipe desde agosto de 2020.

 

Defendeu a importância de estar a convidar, durante esta visita à ilha cabo-verdiana de Santiago, “os empresários, empreendedores, investidores, parceiros que estão aqui em Cabo Verde para visitarem” o Príncipe, à procura de “oportunidades de negócio” em áreas “estratégicas”, como o agronegócio, o turismo diferenciado, “tanto ecológico como rural”, mas “também nos domínios da educação, formação profissional e superior”.

 

“Há muitas caraterísticas comuns que podem levar a que os empresários e investidores que escolhem Cabo Verde possam também vir ao Príncipe. Será, da nossa parte, uma oportunidade para diversificarmos os diversos ramos do setor económico e queremos apostar fortemente na transformação local dos produtos, sejam agrícolas, sejam do pescado”, exemplificou.

 

“E olhando para o percurso que Cabo Verde tem feito na transformação e conservação, através da indústria transformadora e aposta na dinamização da economia local, queremos levar essa experiência para o Príncipe. E queremos que os investidores venham participar neste nosso processo de desenvolvimento”, disse ainda.

 

O objetivo é chamar investidores atualmente em Cabo Verde para áreas estratégicas, a começar pelo agronegócio, com transformação local: “Apostando por exemplo na produção da água à sardinha, do modo geral nos produtos que temos de qualidade, para prepararmos a sua exportação. Temos potencial no que toca à baunilha, pimenta, especiarias – como o açafrão, o gengibre -, e outros produtos que o Príncipe produz em grandes quantidades, desde banana, mandioca, que normalmente não têm saída”.

 

Com Cabo Verde, e após contactos idênticos com a Guiné-Bissau e Portugal, Filipe Nascimento diz que o Príncipe quer também “aprender com a experiência” deste arquipélago.

 

“Queremos não só aumentar a produção como, apostando na sua industrialização, transformar, conservar e exportar como forma de reanimar a economia, em alternativa ao turismo, nesta fase em que a pandemia ainda se faz sentir. O governo regional do Príncipe está fortemente empenhado no pós-covid-19, com a entrada de novos investidores e de novos empreendedores. E entendemos que Cabo Verde e os seus empresários serão bons parceiros”, garantiu.

 

Durante esta visita de cinco dias a Cabo Verde, que já envolveu reuniões com o Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, e o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, o presidente do governo regional do Príncipe reconheceu “uma grande abertura, sensibilidade política e mobilização” para o reforço do relacionamento bilateral.

 

“E queremos aproveitar esse engajamento para que os empresários e parceiros que estão em Cabo Verde também escolherem a Região Autónoma do Príncipe para investirem o seu capital e aproveitarem para participarem na dinamização da nossa economia, sobretudo nesta fase da retoma económica, recuperação do emprego, para conseguirmos vencer a pandemia e os seus efeitos nefastos”, sublinhou.

 

Filipe Nascimento é um jovem quadro natural do Príncipe, de ascendência cabo-verdiana e formado em Direito em Portugal, que durante vários anos trabalhou na Câmara Municipal de Oeiras.

Em Cabo Verde até sexta-feira, e além de acordos de colaboração assinados com municípios e universidades locais, Filipe Nascimento procura ainda perceber a experiência e opções nas ligações internas marítimas e aéreas do arquipélago e possibilidade de replicar esse modelo na ligação entre as ilhas do Príncipe e São Tomé.

 

“Estamos a lançar as sementes e esperamos colher bons frutos no futuro”, concluiu.

 

Lusa

 

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on pinterest