Greve: Sindicato dos agentes da Guarda Municipal acusa autarquia da Praia de abuso de poder

O Sindicato dos Trabalhadores do Comércio e Serviços, que defende os agentes da Guarda Municipal em greve de três dias, acusou hoje a Câmara Municipal da Praia de abuso de poder e garantiu que não vão baixar a guarda.

A acusação foi feita pelo membro da direcção do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio e Serviços (STCS) João Matte que reagia ao comunicado da Câmara Municipal da Praia em substituição do presidente do referido sindicato.

No comunicado a edilidade considerou a greve de três dias dos agentes da Guarda Municipal, iniciada esta segunda-feira, 23, “um ignóbil acto de chantagem” de uma corporação cuja missão é assegurar a fiscalização de actividades económicas, comerciais e urbanísticas

“Se fazer greve, reivindicar direitos de classe é chantagem poderíamos atribuir um nome à câmara municipal também, mas temos respeito pelas pessoas e pelas instituições”, respondeu João Matte, instando a Câmara Municipal da Praia a aprender a relacionar com a classe com “humildade” e a criar “mais” motivação aos trabalhadores ao invés de recorrer à “sua força e ao abuso de poder”.

“Desta forma não vai criar motivação na classe para que haja aumento de produção e aumentar a imagem da instituição, não vamos aceitar isso de jeito nenhum esse atributo que deu à classe e retribuímos a ele porque se há chantagem é da parte da câmara municipal”, retorquiu aquele responsável.

Lembrou que as partes assinaram um memorando de entendimento em Fevereiro de 2022, acordando que até 31 de Dezembro a autarquia efectuaria a atribuição dos 30% de coimas relativamente ao ano 2021, e tal não foi cumprido.

“Agora se a edilidade tem problemas na parte financeira administrativa e de procedimentos, não é o nosso problema, porque tiveram o ano inteiro para resolver esta questão, se há algum impasse não somos os responsáveis para isso não vamos aceitar estas desculpas”, ressaltou o sindicalista, avisando que a autarquia praiense é o factor fundamental da realização desta greve de 72 horas.

De referir que a proposta da autarquia da Praia é que as promoções e progressões fossem resolvidas com a conversão dos agentes da Guarda Municipal em Polícia Municipal, mas, afirmou João Matte, os trabalhadores não estão de acordo por se tratar de uma lei desde 2017 e até ainda estão à espera da implementação do projecto Polícia Municipal.

A autarquia da Praia justificou ainda que a implementação da Polícia Municipal é uma questão que envolve também o poder executivo, tendo o sindicalista avisado, uma vez mais, não se tratar de problemas da classe, sendo que a autarquia teve um ano para articular com o Governo.

“Trabalhadores não podem pagar por tudo que os membros políticos fazem, só porque têm o poder os trabalhadores devem esperar até bem entenderem, e isso não pode ser”, lembrou, vincando que os trabalhadores querem para agora as progressões.

“A greve vai continuar como previsto. Estávamos na expectativa que havendo vontade política nos chamariam para renegociação, mas por orgulho pessoal por parte da câmara não aconteceu e isto é mau, desta forma não construímos o País como deveria ser (…)”, terminou.

Inforpress

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