- Balai Noticias, Economia, Notícias
- Janeiro 23, 2024
- 12:39 pm
- Nélida Vaz
Hobby que surgiu na pandemia da covid-19, transforma-se em micronegócio para ortoptista mindelense

Nádia Cruz é uma mindelense de 29 anos, formada em Ortóptica, uma das áreas da Oftalmologia que realiza o diagnóstico e o tratamento de distúrbios relacionados à visão. Além de técnica no setor da saúde, Nádia também dedica parte do seu tempo ao micro negócio de produção e personalização de peças de resina.
Em entrevista ao Balai, a microempreendedora contou que os primeiros passos na jornada começaram a ser dados de forma espontânea em julho de 2020, quando se encontrava em casa devido a covid-19 no país. Na época, ela e uma prima tiveram a ideia de reunir os sobrinhos e entretê-los com atividades manuais durante o período de quarentena.
“Costumo dizer que esse hábito de produzir trabalhos manuais é de família, influenciado pelo meu pai e pela minha irmã mais velha, que sempre gostaram de trabalhos relacionados à arte e produziam algumas peças em casa, o que despertava em mim a vontade de seguir o mesmo caminho”, conta ao revelar que as primeiras peças feitas no atual empreendimento eram de gesso, o mesmo material apresentado aos sobrinhos em 2020.
Ainda no mesmo período, Nádia e a prima decidiram tirar uma foto “singela” de um dos vasos produzidos e publicar nas redes sociais, publicação que teve um efeito positivo, pois foi a partir dali que receberam uma solicitação para uma peça idêntica.
“Com isso, a minha prima perguntou o porquê de não criarmos uma página e partilharmos os trabalhos, no sentido de ver no que ia dar. Por fim, concordei com a iniciativa e sugeri que ela tratasse da gestão da página e eu das peças”, explica sobre como nasceu a Coisinhas, nome inicialmente atribuído à página e que hoje pertence à microempresa, uma simbolização da forma como a prima referia-se às peças, chamando-as de “coisinhas fofas”.
Com o passar do tempo e o aumento das demandas, a prima decidiu deixar o negócio todo sob o comando de Nádia, ao convencê-la de que ela era a “peça principal” da Coisinhas, que passou a ser uma empresa formalizada em 2021.
Já em 2022, o negócio passou a destacar-se não só pela produção de objetos feitos com gesso, mas também com resina, e essa tornou-se rapidamente na sua principal saída, com produções de porta-joias, saboneteiras, lembrancinhas, chaveiros, canetas e entre tantos outros objetos.
Apesar de notar que boa parte dos microempreendedores no país e na ilha, principalmente, estejam a apostar na produção de peças artesanais, entre os quais, o uso da resina como matéria-prima, na visão de Nádia esse aspeto não a preocupa, uma vez que defende que a resina é um material “versátil” assim como o próprio artesanato, “que permite a diversificação entre os trabalhos dos diferentes artistas e a variedade de opções aos clientes”.
Embora a “concorrência” não seja temível para a artesã, o acesso aos materiais tem sido uma das principais barreiras a ultrapassar.
“Boa parte dos meus materiais compro na cidade da Praia, desloco-me três vezes ao ano para a capital e aproveito para comprar tudo aquilo que preciso nas minhas produções. Outra alternativa também é comprar fora do país, ir levantar nos correios ou contar com a colaboração alheia que esteja de passagem pela ilha”, conta ao mesmo tempo que sugere a abertura de lojas desse segmento em São Vicente, mesmo que os preços sejam diferentes dos da capital.
Outra desvantagem observada pela artesã é a questão ligada à produção de peças personalizadas que muitas vezes não são levantadas pelos donos e acabam por permanecer no ateliê sem um destino definido, uma vez que tratam-se de peças “únicas”.
Passados dois anos após a oficialização do negócio, a são-vicentina conta hoje com dois pequenos espaços montados em sua residência, um onde é possível trabalhar nas produções e outro onde armazena alguns exemplares para quando alguém solicitar os produtos e quiser conferir de perto antes de seguir a produção.
Além disso, nesses primeiros anos de negócio, a empreendedora conta com uma participação feita em uma das feiras promovidas na sua cidade natal, para mulheres empreendedoras. Um momento que diz guardar como uma conquista, tendo em conta o tempo de atuação, tempo que foi suficiente para realizar encomendas por todas as ilhas e fora do país, com exceção de Fogo e Brava.
Apesar de atualmente estar sozinha na empresa, a microempreendedora partilha a ambição de ainda neste ano abrir uma loja física e com isso poder até contratar mais pessoas para auxiliar.
Até agora, diz que ainda consegue conciliar a profissão de técnica de saúde visual, numa clínica local, com as tarefas de empreendedora, dado que reserva sempre os períodos noturnos para a confeção das peças e, por vezes, os sábados. Algo que garante não ser um impedimento na sua jornada enquanto empreendedora.
Em relação ao futuro, Nádia ainda se mantém firme sobre aquilo que quer e diz preferir criar planos para ambas as carreiras. Pois, não descarta a possibilidade de manter-se como ortoptista e singrar-se na área da saúde, ao mesmo tempo em que enxerga um avanço enquanto artesã.
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