Homicídios disparam no estado brasileiro do Amazonas devido a disputas de fações

Os homicídios dispararam no estado do Amazonas, no norte brasileiro, principalmente em Manaus, capital estadual e coração económico da vasta região da floresta tropical, devido a disputas entre fações criminosas, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública.

O estado registou 1.170 homicídios entre janeiro e outubro, ou quase quatro por dia – cerca metade dos assassínios registados no mesmo período do ano anterior, segundo dados oficiais publicados este mês.

A maioria ocorreu em Manaus, que concentra cerca de metade da população de 4,2 milhões de habitantes do Amazonas. O índice de criminalidade do estado amazónico é o pior do país, de acordo com o portal de notícias G1, enquanto o número de homicídios em outros lugares diminuiu ligeiramente.

Segundo especialistas, a violência no Amazonas piorou nos últimos anos, depois que a fação criminosa Comando Vermelho lançou uma campanha sangrenta contra o gangue rival Família do Norte para controlar as rotas do narcotráfico na região.

Em Manaus, há bairros que são cobiçados pelo crime organizado pela sua localização estratégica, às margens do Rio Negro, propícia para o tráfico de estupefacientes.

Uma das últimas vítimas da guerra de gangues foi Daniel da Silva Gomes, de 22 anos. Na terça-feira, agentes policiais encontraram o corpo sem camisa do jovem caído na rua, com dois tiros na cabeça.

O pai de Daniel disse à agência Associated Press (AP) que o seu filho envolveu-se com traficantes de drogas e havia recebido ameaças nos últimos dias.

Em junho, as autoridades de Manaus fecharam escolas e suspenderam os transportes públicos em plena onda de violência na região, depois que a polícia matou o suposto líder de uma quadrilha de traficantes.

Os criminosos incendiaram dezenas de autocarros, prédios públicos e bancos, no que as autoridades avaliaram como uma possível represália pelo assassínio.

Um estudo divulgado no início do mês indicou que a taxa de homicídios na Amazónia brasileira em 2020 foi 40,7% superior à do resto do Brasil devido ao aumento de crimes relacionados com drogas, desflorestação e mineração ilegal.

Enquanto nos municípios que fazem parte da região amazónica brasileira a taxa de mortes violentas situou-se em 31,1 casos por 100 mil habitantes, no restante do país a taxa foi de 22,1 no ano passado.

Os dados são da primeira análise sobre violência letal na região amazónica do país feita pela organização não-governamental Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Segundo Renato de Lima, presidente do Fórum, a Amazónia brasileira é explorada por “grandes” grupos criminosos nacionais e internacionais, que, com as suas ações, contribuem “em grande medida” para a destruição da floresta.

“Esses grupos operam negócios diversificados, que vão desde a venda ilegal de madeira até minerais, mas também investem muito em terras e imóveis e promovem a lavagem de ativos procedentes de outros crimes que não o comércio de drogas e madeira, como tráfico de pessoas ou silvestre animais”, disse.

De acordo com o estudo, a forte presença de grupos de narcotráfico na região, que lutam pelo poder e pelas rotas pelas quais as drogas circulam, tem contribuído para o aumento do índice de homicídios na Amazónia brasileira, a maior floresta tropical do mundo.

Soma-se a isso a falta de governabilidade e de estrutura de segurança pública com capacidade para investigar crimes cometidos na região, que, junto com as deficiências na justiça, deixam a Amazónia “refém do crime organizado”, segundo o estudo.

 

Lusa

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on pinterest