PTS tem uma visão crítica sobre a data da proclamação da Independência de Cabo Verde

O Partido do Trabalho e da Solidariedade (PTS) tem uma visão crítica sobre a data da proclamação da Independência nacional, por considerar que em “5 de Julho de 1975 se comemorava o 43º aniversário do nascimento do Salazarismo”.
PTS

 

Esta é a leitura feita à Inforpress pelo presidente interino do PTS, que indaga o porquê de se comemorar a Independência de Cabo Verde, “no dia que marca o nascimento do Salazarismo, se a ideologia maior era combater, precisamente o Salazarismo”, regime ditatorial, que permaneceu em Portugal entre 1933 e 1974.


Cláudio de Sousa considerou que em Cabo Verde foram os camponeses que lutaram para a Independência deste arquipélago, ao serem mobilizados pela luta de libertação, mas que no momento da tomada da independência, foi beneficiada a classe mais favorecida desde o tempo colonial.


Na óptica deste dirigente partidário, “na verdade, a verdadeira independência ainda não aconteceu”, ressalvando que Amílcar Cabral, considerado o grande obreiro da luta de libertação da Guiné e Cabo Verde, “tinha a plena consciência que a luta continua”.


“Nós comemoramos a independência nacional, a 5 de Julho, porque não nos foi dado instrumento crítico para nos entender o que se passa na verdade. O povo comemora a efeméride sem ter consciência que celebra o seu próprio desastre”, criticou o dirigente do PTS, para quem “Cabo Verde ainda não tem uma independência efectiva”.


Isto por considerar que a “independência política tem de ser acompanhada da independência económica”, alegando que “de nada vale a liberdade política sem a liberdade económica”.


Cláudio de Sousa justificou a sua tese em como o povo não deve ser levado em conta apenas para votar, pois defendeu que a independência deve reflectir na mudança económica e na vida dos povos.


“O objectivo da ideia da independência era eliminar a classe opressora de todas as formas de exploração, de modo que o povo pudesse viver como um só, mas passados 46 anos desta suposta independência, ainda Cabo Verde tem um país dividido em classe alta, que vive com tudo, e uma classe baixa, que vive na miséria”, sentenciou o líder interino do PTS.


Reclama que Cabo Verde continua a ser um País marcado pela desigualdade que vem desde passado assinalado pelo colonialismo que, a seu ver, continua a reinar por força de um “elevado sistema de exploração, o que desvirtua tudo quanto defendia Amílcar Cabral que lutava sempre para a defesa da classe do trabalhador revolucionário junto do seu povo”.


Disse não entender o porquê de Amílcar Cabral ser mais valorizado no estrangeiro que em Cabo Verde e Guiné-Bissau, afirmando que “o País não tem noção da dimensão da sua tamanha capacidade intelectual, porque o povo foi impedido de entender os seus ideais, já que o objectivo da classe política hoje, é impedir a criação de uma sociedade civil organizada”.
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Os governantes falam em nome do povo, explicitou Cláudio Sousa, ressalvando que “os poderosos vivem à custa do povo, que se traduz numa maioria pobre e uma minoria que enriquece à custa dos que vivem da pobreza”, tendo rematado que depois de 46 anos o povo continua sem terra e sem dinheiro e o país em busca de crescimento.


Inforpress

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