Investigador fala em integração “muito diferenciada” dos cabo-verdianos em Portugal

O investigador e professor na Universidade de Coimbra Pedro Gois considerou hoje que a comunidade cabo-verdiana passa por um processo de integração “muito diferenciado” em Portugal, mas também nos outros países da Europa.

A consideração foi feita em declarações à Inforpress, à margem da sua participação na primeira mesa redonda internacional sobre o Mapeamento da Diáspora no Mundo, no âmbito do projecto de mapeamento da diáspora cabo-verdiana, que reúne as comunidades cabo-verdianas residentes em Portugal e nos demais países da Europa.

“A integração dos cabo-verdianos em Portugal é muito diferenciada. Há quem esteja completamente integrado e se sinta um cidadão nacional, e há quem esteja num processo de integração e tenha ainda alguns desafios pela frente, que têm a ver muito com o seu posicionamento identitário, mas também com a língua que fala, com a música que ouve, com o dia-a-dia de vivência entre duas culturas, o que às vezes gera um processo difícil, que é, ainda não são bem portugueses e já não são bem cabo-verdianos”, explicou.

Segundo Pedro Gois, esses cabo-verdianos quando vão a Cabo Verde são portugueses, o que considerou um “processo difícil de gerir em termos individuais”, mas lembrou que, genericamente, a maioria dos cabo-verdianos, sobretudo nos últimos anos, tornou-se “invisível” na sociedade portuguesa, que percebeu, finalmente, que os cabo-verdianos são “muito próximos” culturalmente da realidade portuguesa, sobretudo quando comparado com imigrantes que estão a chegar mais recentemente, que vêm do sudeste indiano, ou do Bangladesh, ou do Paquistão.

“Invisível no sentido em que se integraram, não causam problemas, deixamos de pensar neles como um desafio de integração e passamos a consolidar a integração, isto em grandes grupos. Pois há alguns casos que estão menos integrados, alguns jovens das periferias de Lisboa, nomeadamente, que têm mais alguma dificuldade de integração social no seu todo e não necessariamente na sociedade portuguesa”, esclareceu.

O investigador realçou, ainda, que a integração não é um processo imediato, demora tempo, chegando até três gerações, e quando se integram, “provavelmente desintegram-se” do país de origem e dos seus antepassados, o que cria um dilema, que é, “se estão muito bem integrados no país de destino, se calhar já não são cabo-verdianos, se ainda são cabo-verdianos, é se calhar porque ainda não estão suficientemente integrados”.

Sobre o projecto de mapeamento da diáspora, o professor universitário considerou que por essas razões possa vir a ter dificuldades, “que não são inultrapassáveis”, mas que devem ser consideradas no processo, que é como chegar a estas pessoas, como fazer com que elas sintam que a sua proximidade cultural de Cabo Verde é importante para as suas vidas pessoais, reiterando que esse é um processo de integração na Europa “muito diferente” no Algarve, em Lisboa, em Roterdão ou em Paris.

Por isso, fala em criar “embaixadores para o mapeamento” durante esse processo, por entender que a única forma possível de chegar ao cidadão comum, àquele que não ouve todos os dias os meios de comunicação social de Cabo Verde, mas que através das redes sociais, é possível, no entanto, são necessários “influenciadores das redes sociais”, neste caso, embaixadores.

O Governo aprovou em Junho de 2023 o início do processo de mapeamento da diáspora cabo-verdiana, conferindo ao INE o papel de executar o projecto, com o objectivo de definir seu perfil, enquanto parte da população cabo-verdiana expatriada em mais de 40 países do mundo, de forma a que seja possível avaliar e projectar a sua real condição de vida e disponibilidade para se engajarem estrategicamente no processo de desenvolvimento do país.

Inforpress

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