Jacob Vicente defende debate permanente sobre saúde mental e cuidados primários no país

A intersectorialidade e a transversalidade das questões de saúde mental recomendam um debate sério em Cabo Verde para desmistificar a situação de pessoas doentes e mostrar à sociedade que todos necessitam de cuidados primários nesta especialidade.

A afirmação é do responsável do Centro de Atendimento Psicológico, Jacob Vicente, em declarações à Inforpress para falar sobre o primeiro Congresso Internacional de Saúde Mental em Cabo Verde, a acontecer nos dias 24 e 25 sob o lema “Saúde mental uma necessidade inadiável, um compromisso de todos”.

“Queremos com este congresso colocar na agenda nacional um debate sobre a saúde mental para desmistificar a situação de pessoas doentes e mostrar à sociedade que não são apenas as pessoas em estado avançado da doença que necessitam de cuidados”, disse, indicando as várias formas de as pessoas identificarem quando não estão bem em relação à sua saúde mental.

O primeiro passo, segundo disse, é procurar um profissional da área nos cuidados primários visando com isso prevenir os agravos.

Destacou ainda a necessidade de, na área da saúde mental, se ampliar as atenções, em todos os níveis, assim como uma maior necessidade de sensibilização e cuidados, qualificação dos profissionais, bem como maior atenção psicossocial.

O congresso, explicou, vai incidir sobre quatro eixos, sendo estes relacionados com a saúde mental e física; suicídios; saúde mental dos funcionários públicos em Cabo Verde; saúde mental nas escolas para esclarecer aos pais sobre o que se passa com os adolescentes, o seu envolvimento com o álcool, as drogas, assim como a violência.

Convidado a deitar um olhar sobre o Plano Estratégico da Saúde Mental em Cabo Verde, Jacob Vicente ressaltou que o plano não é conhecido, apesar de estar a ser implementado há um ano.

“O plano estratégico da saúde mental não é conhecido, apesar de se afirmar que há quase um ano que está sendo implementado. Penso que a socialização não foi o mais conveniente e muitas pessoas da área da saúde não conhecem este plano”, defendeu, sublinhando que um plano de saúde mental deve envolver toda a sociedade civil e sair fora das paredes do ministério.

Sublinhou ainda que a Cidade da Praia tem uma média de 200 mil habitantes e que não possui estruturas de saúde para responder à demanda quanto à saúde mental, lembrando, por outro lado, que quem trata a parte primária nesta área são os psicólogos e não o psiquiatra.

Realça que o congresso vai debater, também, a necessidade de uma parceria público/privada, para que quem esteja fora do sistema público possa, também, contribuir para o bem-estar da saúde mental dos cabo-verdianos.

Segundo o responsável do Centro de Atendimento Psicológico, existem 30 profissionais da área de saúde mental no País, sendo que a maior parte não está no sistema nacional.

Lembra que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declara que a saúde mental é o estado em que o indivíduo está de bem consigo mesmo e consegue resolver o stress do dia-a-dia e dar sua contribuição à comunidade.

“Um indivíduo enquadrado dentro desta definição da saúde mental não comete assassinato, feminicídio, delinquência e nem viola o seu filho (a)”, acrescentou, apelando a quem de direito a uma mudança nesta matéria, começando por uma maior presença de psicólogos clínicos e assistentes sociais no terreno para falar com a comunidade e as famílias dos pacientes sobre certos temas.

Neste âmbito, apela a sociedade civil a participar no congresso por forma a conhecerem melhor a situação da saúde mental no País.

O congresso que conta com cerca de 80 pessoas vai ter lugar no auditório da Federação Cabo-verdiana de Futebol e a inscrição, que custa seis mil escudos (três mil escudos por dia), já está aberta.

PC/HF
Inforpress/Fim

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