Jornalista americano julgado por espionagem na Rússia

O jornalista americano do Wall Street Journal Evan Gershkovich foi julgado a portas fechadas em Yekaterinburg nesta quarta-feira, 26 meses após a sua prisão na cidade dos Montes Urais por acusações de espionagem.

Tanto ele, como o jornal e o Governo dos Estados Unidos negam veementemente as acusações.

Caso for condenado, o que é quase certo segundo observadores, Gershkovich pode apanhar até 20 anos de prisão.

O jornalista de 32 anos compareceu ao tribunal numa jaula de vidro criada para réus, com a cabeça raspada e vestindo uma camisa xadrez preta e azul.

Um cadeado amarelo estava preso à gaiola.

A imprensa foi autorizada a entrar na sala do tribunal por alguns minutos antes do encerramento do processo, bem como, por alguns momentos, dois funcionários consulares da Embaixada dos EUA em Moscovo, de acordo com a representação diplomática americana.

Jay Conti, vice-presidente executivo e conselheiro geral da Dow Jones, descreveu o julgamento como uma farsa, em entrevista à Associated Press.

“Ele era um jornalista credenciado que fazia jornalismo, e este é um julgamento falso, acusações falsas que são completamente forjadas”, disse Conti.
Filho de imigrantes russos, nascido nos Estados Unidos, Gershkovich é o primeiro jornalista ocidental preso sob acusação de espionagem na Rússia pós-soviética.

Ele foi detido quando fazia uma reportagem em Yekaterinburg e as autoridades alegaram que ele estava a recolher informações secretas para os serviços de inteligência americanos.

O Departamento de Estado considerou que ele foi “detido injustamente” e assegurou que o Governo ia procurar de forma assertiva a sua libertação.

Após sua prisão a 29 de março de 2023, Gershkovich foi levado para a “sombria” prisão de Lefortovo, em Moscovo.

“Evan demonstrou notável resiliência e força face a esta situação sombria”, disse a embaixadora dos EUA, Lynne Tracy, no primeiro aniversário da sua prisão.

Dados apontam que os tribunais russos condenam mais de 99% dos arguidos e os procuradores podem recorrer das sentenças que considerem demasiado brandas e podem até recorrer de absolvições.

Além disso, a interpretação da Rússia sobre o que constitui espionagem é ampla.

Igor Sutyagin, especialista em controlo de armas de um think tank da Academia Russa de Ciências, esteve preso por espionagem durante 11 anos por repassar material que ele disse estar disponível publicamente.

Paul Whelan, um executivo americano de segurança corporativa, foi preso em Moscovo por espionagem em 2018 e cumpre uma pena de 16 anos de prisão.

A prisão de Gershkovich ocorreu cerca de um ano depois de o Presidente Vladimir Putin ter aprovado leis que criminalizam as críticas ao que o Kremlin chama de “operação militar especial” na Ucrânia e declarações vistas como descrédito aos militares.

Muitos jornalistas deixaram o país após a aprovação das leis.

No ano passado, Alsu Kurmasheva, uma jornalista com cidadania americano-russa da Rádio Liberty/Radio Free Europe, financiada pelo governo dos EUA, foi presa por alegada violação da lei que exige o registo dos chamados “agentes estrangeiros”.

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