Jornalistas cabo-verdianos pedem medidas para reforçar liberdades

O presidente da Associação de Jornalistas de Cabo Verde (AJOC) disse hoje à Lusa que o país “não pode ignorar” a perceção dos cabo-verdianos de que as liberdades de imprensa e de expressão estão a regredir.

Para o presidente da AJOC, Geremias Furtado, este é “mais um sinal” de que é preciso refletir e tomar medidas.

O sentimento foi retratado num inquérito divulgado na quinta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), no mesmo mês em que o país desceu para a 41.ª posição (33.ª em 2023), no índice anual de liberdade de imprensa, publicado pela organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) – que, ainda assim, o mantém como uma referência no contexto regional.

“Mais uma vez, chamamos a atenção do Estado, que tem o dever de garantir as liberdades”, afirmou Geremias Furtado, considerando que o país deve “parar de ignorar” as várias vozes que vêm apontando para um conjunto de situações que travam a plena liberdade de imprensa em Cabo Verde.

Geremias Furtado dá como exemplo a forma como ainda estão a ser escolhidos os responsáveis dos órgãos públicos e algumas “perseguições” a jornalistas nas redes sociais.

O dirigente aludiu ainda a dificuldades financeiras no setor privado da comunicação social como um fator que limita a atuação dos jornalistas.

“Já tínhamos alertado para isto e agora há um relatório que leva em consideração a opinião da sociedade”, frisou o jornalista, que no início do mês foi reeleito como presidente da AJOC.

Geremias Furtado desafiou ainda os jornalistas a “saírem da sua zona de conforto” para irem “mais a fundo” nos trabalhos que “mexem com a sociedade”.

“É um trabalho de todos e a AJOC está disponível para dialogar, para dar o seu contributo, no sentido de melhorarmos a situação de Cabo Verde no respeito pela liberdade de imprensa”, manifestou.

De acordo com o terceiro inquérito sobre Governança, Paz e Segurança, referente a 2023, a população sente que diminuiu o respeito pela generalidade dos direitos humanos em análise, destacando-se a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão, que registam diminuições na ordem de 19,5 e 13,3 pontos percentuais, respetivamente.

“Menos de metade da população acredita que a liberdade de imprensa (38,3%), a liberdade de expressão (36,2%), a liberdade contra a discriminação (31,8%) e a igualdade perante a lei (29,2%) sejam respeitados”, lê-se no documento.

O inquérito baseou-se numa amostra de 4.962 agregados familiares, sendo que em cada agregado foi inquirido apenas um indivíduo com pelo menos 18 anos, cobrindo os 22 concelhos de Cabo Verde, entre outubro e dezembro de 2023.

Lusa

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