Jovem vencedora do concurso “Mulheres empreendedoras” dá nova vida a frutas desperdiçadas

Adrizia Duarte venceu o concurso da OMCV e agora quer expandir o negócio a nível nacional.

Adrizia Duarte é natural de São Nicolau e aos 26 anos já é dona do seu próprio negócio, a Duarte Leal, uma empresa de transformação de frutas com a qual venceu o concurso “Mulheres Empreendedoras” promovido este ano pela Organização Mulheres de Cabo Verde (OMCV).

Em entrevista ao Balai, esta empreendedora que possui uma formação profissional em restauração e bebidas, conta como começou na indústria da transformação até chegar ao concurso de empreendedorismo onde foi a primeira classificada.

“Comecei com a produção de ponches em casa e para os amigos, apenas como hobby, isso porque a minha mãe tinha o hábito participar em algumas formações que eram promovidas na nossa comunidade e eu comecei a ir nos dias em que ela não podia, foi num desses dias que tive uma capacitação em bebidas e acabei por aprofundar”, revela a jovem, que começou a despertar o interesse em ter um negócio próprio ainda nesta época.

Em 2018, deslocou-se para a cidade da Praia onde fez a sua formação profissional, ao concluir decidiu regressar à sua ilha natal com o propósito de abrir um restaurante, porém, havia uma “vontade interna” que insistia em enveredar pela transformação.

Por conta disso, em 2021, juntamente com o seu companheiro, Sandinel Leal, Adrizia decidiu empreender de vez na área que sempre lhe chamou a sua atenção e juntos registaram a empresa como forma de recorrer ao financiamento. Foi assim que nasceu então a Duarte Leal, uma empresa de transformação de frutas na ilha de São Nicolau.

“Visto que sou de uma zona rural, às vezes deparamo-nos com bastante desperdício de frutas em algumas épocas do ano, como as mangas, por exemplo, que sempre permanecem caídas no chão sem nenhum proveito, por isso que criamos a empresa como forma de dar um destino a essas frutas”, explica sobre o objetivo da Duarte Leal.

Segundo nos avançou, a empresa que carrega no nome o apelido de Adrizia e do companheiro, Sandinel, procura não só pôr fim ao desperdício das frutas em épocas altas, mas também, levar novas tendências para a ilha.

“As nossas principais matérias-primas são as frutas, após recolhê-las passamos ao processo em que as tornamos em polpa para que só assim, possamos tê-las em condições para transformá-las em produtos secundários como ponches, nos quais não usamos leite condensado como a maioria das pessoas fazem, usamos frutas, açúcar e aguardente”, explica.

Além do ponche, a Duarte Leal também transforma as frutas em doces, geleias e licores, produtos esses que Adrizia defende que “o propósito é dar ênfase ao sabor das frutas, principalmente nas bebidas, por isso que estas são mais doces”, sendo esse o “diferencial” que a jovem destaca.

“Se alguém gosta de uma determinada fruta, a experiência que proporcionamos é de não a apreciar apenas em uma única forma, mas sim de várias maneiras”, completa.

Dois anos após registar a empresa, Adrizia foi surpreendida por uma publicação nas redes sociais sobre o concurso “Mulheres Empreendedoras”. Por estar no início das atividades empresariais, pensou no concurso como uma oportunidade de impulsionar o negócio e expandi-lo no mercado.

“Decidi participar e fui a selecionada entre as outras participantes da minha ilha, o que me deixou bastante feliz porque estive prestes a ficar de fora, pois fiz a minha inscrição um dia antes de encerrar,” revela.

Após estar oficialmente no concurso, a empreendedora da terra do Chiquinho começou a jornada rumo à conquista do prémio, conforme relatou, o sentimento que a dominava durante todo o concurso era de “ansiedade”, pelo facto de estar entre concorrentes mais maduras e com mais experiência.

“Estive o tempo todo com esse pensamento, mas o apoio dos meus familiares, inclusive de uma tia que me auxiliou na preparação do meu pitch e do meu companheiro que sempre me dizia palavras de incentivo para não me sentir ameaçada ou algo assim”, lembra.

“No dia da premiação, e último do concurso, a ansiedade estava mais em alta com as apresentações feitas pelas minhas colegas, pior ainda foi quando anunciaram o terceiro lugar, que era o que contava em ganhar pelo menos, mas quando me anunciaram como o primeiro lugar, fiquei quase sem palavras por conta da emoção”.

Ao sair do concurso com um prémio de 500 mil escudos em capital semente, ou seja, um tipo de financiamento a longo prazo concebido por fundos de investimento, Adrizia partilha que pretende usá-lo na aquisição de máquinas que facilitam a transformação das frutas, uma vez que esse processo é manual.

Embora possua um espaço próprio na ilha de São Nicolau, a empreendedora manifesta o interesse em abrir uma filial da Duarte Leal na cidade da Praia, onde também tem clientes, que segundo a própria é o mercado onde desejam “entrar por completo”. Além disso, com a visibilidade adquirida no concurso, a mesma conta com a contratação de mais pessoas na equipa, composta atualmente pela Adrizia e pelo companheiro.

Enquanto aos desafios, o único apontado pela empreendedora é a questão ligada aos preços dos produtos que poderão sair mais caros, por conta de algumas frutas que não existem na ilha e deverão adquirir em outros mercados.

De agora em diante, Adrizia segue a jornada empreendedora com novas ambições em projetos relacionados ao seu negócio, focado na reciclagem dos lixos orgânicos produzidos pela empresa durante o processo de transformação, onde a empreendedora tenciona transformar o lixo em fertilizantes que os próprios agricultores podem utilizar nos seus cultivos.

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