Legislação laboral, conectividade e burocracia da administração pública apontados como desafios a resolver para a retoma pelo PCA da FIC

Apesar de ter elogiado as medidas tomadas pelo executivo durante a pandemia, o PCA da FIC, Jorge Spencer Lima, lembrou que “é preciso retomar questões antigas” e lançou alguns desafios ao governo a nível da atualização da legislação laboral, da conectividade entre as ilhas e da burocracia na administração pública.

Durante a cerimónia de abertura da 24ª edição da Feira Internacional de Cabo Verde, o presidente do conselho de Administração da feira, Jorge Spencer Lima, lançou alguns desafios ao governo de Ulisses Correia Silva para o relançamento da economia em 2022:  resolver a rigidez do mercado de trabalho e o problema da conectividade entre as ilhas e, ainda, acabar com a burocracia da administração pública.

Salientando que Cabo Verde é um pequeno país insular, onde o tecido empresarial é composto em quase 90% por micro e pequenas empresas e, como tal, suscetíveis às variações do ambiente económico no país e no mundo, Jorge Spencer Lima lembrou que Cabo Verde “pela sua dimensão, sobretudo por ser país arquipélago, dividido por ilhas, sentiu de uma forma mais forte a presença e os efeitos da pandemia”.

O PCA da FIC, que é também presidente da Câmara de Comércio de Sotavento (CCS), asseverou ainda que “a realização desta FIC foi um desafio” e que espera que desta edição seja possível encontrar “um caminho para que a economia possa arrancar, sobretudo, para que as empresas possam sair do marasmo em que se encontram”.

Para Jorge Spencer Lima neste relançamento da economia nacional é necessário “retomar questões antigas que já existiam e que foram agravadas com esta paragem de quase dois anos”.

“A primeira questão é resolver a questão da rigidez do mercado de trabalho em Cabo Verde. O nosso sistema está caduco, as nossas leis laborais estão caducas e são um empecilho grave ao desenvolvimento dos negócios”, afirmou categoricamente.

Outra questão que Jorge Spencer Lima afirmou ser fundamental “é resolver o problema da conectividade entre as ilhas”.

“Temos que resolver definitivamente a questão das ligações marítimas e aéreas no nosso país para que de facto a economia possa crescer e as empresas possam desenvolver-se e, sobretudo, para que o mercado, que já é pequeno, seja transformado num só e não em nove pequenos mercados no meio do mar”.

O terceiro desafio lançado para 2022 é “acabar com a burocracia da administração pública, outro grande empecilho”, na opinião do representante máximo da FIC. “A nossa administração pública continua atrasada (…) repetimos estudos, mas os problemas não são resolvidos”.

Jorge Spencer Lima considerou ainda fundamental que o sector privado, as empresas, possam estar de mãos dadas com o governo caminhando no mesmo sentido, com o objetivo comum, no sentido do desenvolvimento de Cabo Verde”.

Em jeito de resposta ao presidente do conselho de Administração da FIC, o primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva garantiu mais à frente que “as reformas vão ser aceleradas, com especial incidência nos transportes aéreos e marítimos”.

A FIC 2021 acontece de 17 a 20 de outubro na cidade da Praia e de acordo com a organização, citada pela Inforpress, estão no evento 125 empresas, das quais 66 por cento são cabo-verdianas e 34 % estrangeiras.

A feira é aberta a público no geral, mediante pagamento de bilhete, a partir das 19h durante a semana, e a partir das 16h00 no sábado.

 

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