Legislativas 2021/Ilha do Sal: “Eleições não foram justas nem livres” – acusa Démis Almeida

Legislativas 2021/Ilha do Sal: “Eleições não foram justas nem livres” – acusa Démis Almeida

O cabeça-de-lista do PAICV no Sal considerou que as eleições de domingo não “foram justas nem livres” com “condicionamento da consciência” do cidadão eleitor, o que “prova que a democracia cabo-verdiana não está consolidada coisíssima nenhuma”.

Démis Almeida, que liderou a candidatura do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) pelo círculo eleitoral do Sal, reagiu assim aos resultados pouco tempo depois de conhecer os dados que anunciavam a derrota do PAICV nestas eleições legislativas de 2021.

 

“Ficamos aquém dos objectivos que estabelecemos que era o de elegermos dois deputados no Sal. Só elegemos um. Precisamos, de facto, registar que não disputamos essas eleições só com o MpD e a UCID”, considerou, aclarando que o PAICV local disputou essas eleições “também” com a Câmara Municipal Sal e o com seu presidente, que, conforme criticou, “interveio de forma absolutamente inaceitável”.


“Violando ostensivamente o Código Eleitoral, a ética republicana e introduzindo um elemento de manifesta desvantagem do PAICV relativamente às regras do jogo. Foi público a forma como a câmara municipal com objectivos puramente eleitoralista se comportou, e isso teve o seu impacto”, reprovou, reconhecendo, “democraticamente” a derrota, no círculo eleitoral do Sal, ao mesmo tempo que felicitou os eleitos do Movimento para a Democracia (MpD), pela vitória ao nível da região.


Tendo o PAICV local eleito apenas um deputado, Démis Almeida disse que o compromisso é o de exercer esta deputação com “dignidade, elevação” e contribuir para que ela possa ser útil para o desenvolvimento do Sal, do País e da diáspora.


Reiterando que essas eleições “não foram justas nem livres”, independentemente disso, Démis Almeida admitiu que, “objectivamente”, há que olhar para os dados, e se chegar à conclusão de que o eleitorado no Sal, maioritariamente, não apostou no projecto “Um Cabo Verde para todos”, no que diga respeito aos compromissos decorrentes deste projecto para a ilha.


“A vida continua, estamos cá de cabeça levantada porque temos a consciência que fazemos uma campanha correcta, elevada, pedagógica, não violamos o Código Eleitoral, não compramos nem tentamos comprar a consciência dos cidadãos eleitores, como outros fizeram. É de cara levantada que aceitamos o veredicto popular aqui no Sal”, concluiu.


No Sal, o MpD elege três dos quatro deputados, e o PAICV um.


Num universo de 19.618 eleitores, no Sal, 6.659 votaram MpD, 3.163 no PAICV, 1.720 votaram UCID, contra uma taxa de abstenção a volta de 39.6%.


Às legislativas de domingo, 18, para a eleição de 72 deputados, em 13 círculos eleitorais, dos quais dez no País e três na diáspora, concorreram seis partidos – PAICV, MpD, UCID, PTS, PSD e PP.


PAICV, MpD e UCID concorreram em todos os círculos, PP em seis círculos (Santiago Sul, Santiago Norte, Boa Vista e os três da diáspora), PTS também em seis círculos (São Vicente, Santiago Sul, Santiago Norte e três diáspora), e PSD em quatro círculos (Santiago Norte, Santiago Sul, América e África).


As últimas eleições legislativas em Cabo Verde ocorreram no dia 20 de Março de 2016, tendo o Movimento para a Democracia (MpD) vencido com maioria absoluta, ao eleger 40 deputados, o PAICV 29 e a UCID três.


Inforpress/Fim

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