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Paulo Veiga apontou como principais preocupações a crise energética na ilha do Fogo, o aumento dos preços dos combustíveis, a situação dos agricultores e pescadores e o incumprimento de promessas feitas pelo Governo.

“Foram cem dias de profunda desorganização e de ausência de soluções”, classificou o presidente do Movimento para a Democracia (MpD), Paulo Veiga, os 100 dias do Governo do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) liderado por Francisco Carvalho.
Durante uma conferência de imprensa realizada esta sexta-feira, 2, na sede do partido, Paulo Veiga apontou como principais preocupações a crise energética na ilha do Fogo, o aumento dos preços dos combustíveis, a situação dos agricultores e pescadores e o incumprimento de promessas feitas pelo Governo.
Sobre os cortes de eletricidade no Fogo, que afetaram vários municípios durante vários dias, o líder do MpD criticou a falta de um plano alternativo para garantir o fornecimento de energia durante a manutenção da central de João Pinto. Segundo Veiga, uma situação deste tipo exige maior preparação e comunicação com a população.
Paulo Veiga reconheceu ainda que o problema energético no Fogo é antigo e que nenhum governo resolveu por completo, incluindo o do MpD.
O dirigente também criticou o aumento dos preços dos combustíveis que, segundo Paulo Veiga, desde julho tem aumentado, principalmente o gasóleo. O líder do MpD defendeu que o Governo deve criar mecanismos para limitar o impacto dos aumentos sobre as famílias, pescadores, transportadores e empresas.
Outra preocupação apresentada pelo MpD é a situação da agricultura. Paulo Veiga afirmou que os agricultores enfrentam um ano difícil e criticou a redução prevista no investimento no setor nas diretrizes do Orçamento do Estado para 2027.
“O documento do próprio Governo prevê mau ano agrícola. E, no mesmo documento, corta 29% no orçamento da agricultura”, disse.
Paulo Veiga questionou ainda a falta de apoio aos pescadores e afirmou que o país precisa de um plano de emergência para a agricultura e para as pescas.
O presidente do MpD voltou a cobrar o cumprimento da promessa de melhorar os transportes marítimos para a ilha Brava.
“ (…)Passaram mais de dois meses. O navio não chegou. O navio que hoje se anuncia para a Brava é um navio que ainda está na China, com entrada em serviço prevista para o final do ano.”
Apesar das críticas, Paulo Veiga afirmou que o MpD pretende exercer uma oposição “responsável” e apresentar propostas alternativas.
Ainda na conferência, o presidente do MpD apresentou quatro medidas concretas ao Governo do PAICV.
O MpD propõe planos de reserva e geradores de substituição durante as manutenções das centrais elétricas, o alargamento imediato da subsidiação aos combustíveis e o mecanismo de proteção aplicado anteriormente pelo Governo do MpD para limitar aumentos de preços, bem como compensação aos agricultores que perderam as colheitas e distribuição de sementes.
O partido da oposição propõe ainda a criação de um apoio mensal de 8 mil escudos para táxis e hiacistas e medidas de compensação para os pescadores devido ao aumento do preço do combustível.
Em relação ao Orçamento do Estado para 2027, Paulo Veiga disse que o MpD ainda está a analisar o documento e que vai apresentar as propostas durante a discussão parlamentar, que arranca no dia 7.
O dirigente afirmou também que o partido não pretende impedir o Governo de governar, mas espera explicações sobre as opções previstas no Orçamento, sobretudo nos setores da agricultura e da energia.
“Uma oposição séria apresenta soluções”, afirmou Paulo Veiga, defendendo que o Governo deve assumir a responsabilidade pelas suas escolhas.
Paulo Veiga aproveitou o momento para criticar a ausência do Primeiro-Ministro e Ministro das Finanças, Francisco Carvalho, que se encontrava nos EUA, na reunião de Concertação Social e a reunião de Arbitragem entre o Governo e os partidos políticos sobre o Orçamento do Estado para 2027.
“É a primeira vez na história do país que o ministro das Finanças está ausente na primeira reunião sobre o orçamento com os parceiros sociais”, disse, salientando que espera que o Chefe do Governo compareça no Parlamento na discussão do orçamento.
“O Orçamento se contradiz. Escreve que o programa do PAICV se baseou no setor primário, e desinveste na agricultura, na energia ou no projeto de energias em 50%. Não conseguimos perceber como é que isto pode resultar. E iremos, com certeza, pedir essas explicações”, acrescentou.
Segundo Paulo Veiga, o orçamento apresentado pelo Governo é “muito otimista” para a realidade mundial. “Parece-nos que não leva em conspiração a crise mundial e acha-se que isto irá terminar.”
“Vem aí o aumento de transportes internacionais e outras dificuldades que é preciso precaver. Portanto, eu, se eu fosse primeiro-ministro, preferia conter os custos e manter a cesta básica e tentar manter a economia funcionar do que dar transportes gratuitos ou dar outras coisas gratuitas. Mas são opções”, disse, referindo que quem governa tem que assumir responsabilidade das suas opções.







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