Lojistas esperam pelas compras de última hora para salvar o Natal

Lojistas esperam pelas compras de última hora para salvar o Natal

Responsáveis de lojas queixam-se que, após a crise da pandemia de covid-19, este Natal tem sido de fraca afluência de clientes em relação às festas de 2020, enquanto esperam pelas compras de brinquedos de última hora.

“No ano passado, a afluência de clientes nas lojas era muito melhor, embora tenha havido atraso nas vendas, mas nesta altura via-se mais clientes na loja. Não como o estabelecimento se encontra agora”, conta à Lusa Ana Cabral, que trabalha há 10 anos na loja “Presente Kids”, situada no Plateau, centro da cidade da Praia.

Admite que embora na rua seja possível constatar a “época de festa”, o mesmo não acontece no movimento de clientes nas lojas, com a falta de vendas: “Está um pouco difícil”.

Explica que os poucos clientes que entram na loja optam por comprar os brinquedos mais baratos e que mesmo assim reclamam dos preços.

“Preferem comprar os produtos de preços mais baixos possível”, realça a funcionária, alimentando a esperança na melhoria dos negócios até sexta-feira, até agora centrados em brinquedos como “bonequinhas, carros e algumas roupinhas de bebé”.

É que naquela loja de brinquedos esperava-se que o Natal deste ano fosse diferente, com mais vendas, o que não aconteceu. A expetativa é que os clientes deixem para as últimas horas a compra de prendas.

Belmira Batista, há dois anos a trabalhar na boutique “Belmira”, também no centro da Praia, explicou à agência Lusa que a loja enfrenta uma forte queda nas vendas de brinquedos para o Natal, cenário que de resto se mantém desde o início da crise provocada pela pandemia.

“Não me estou a referir só a este ano. No ano 2020 também havia pouca venda de produtos na loja devido à pandemia da covid-19”, realça.

A lojista considera que, embora o país registe poucos casos positivos da covid-19, a venda continua fraca este ano, devido à crise.

“Para mim, este ano a venda está pior do que no ano passado”, aponta.

Belmira Batista esperava que as vendas de Natal pudessem “estar à altura” das expetativas, mas que devido à crise económica – provocada pela ausência de turismo em Cabo Verde desde março de 2020 -, nota-se uma diferença grande face aos anos anteriores.

“O rendimento de várias famílias é baixo e as despesas são muitas”, salienta, referindo que a pouca circulação de clientes tem sido uma “grande preocupação para as lojistas”.

Outras comerciantes da Praia ouvidas pela Lusa queixam-se igualmente que a pandemia continua a prejudicar as vendas, mas ainda esperam por alguma recuperação nestas festas.

É o caso de Djeniffer Cruz, preocupada com a fraca afluência de clientes, que a Lusa encontrou a tentar vender na loja “Floribela”, localizada na Praça Center Palmarejo, cidade da Praia, aberta desde setembro.

“Já tenho 15 anos de experiência com clientes, mas na loja de brinquedos, flores e enfeites de decoração, já tenho 12 anos de serviço”, conta a lojista, apontando que embora a loja aposte nos produtos mais procurados na época de Natal, constata-se um “movimento muito leve”.

Por entre a venda de produtos, não esconde o desejo de ver a vida voltar a ser como era antes da pandemia, sem as restrições e as medidas sanitárias, e com a melhoria nos negócios.

“Nos não vendemos produtos a preço caros, sobretudo hoje que estamos na crise de pandemia”, reconhece.

Apesar de pouca procura e o movimento nas lojas a descer, Djeniffer Cruz não perde a esperança: “Como diz o ditado, os cabo-verdianos gostam de deixar as coisas para a última hora”.

 

Lusa

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on pinterest