Lucros da energética Cabeólica aumentaram 50% em 2021

Lucros da Cabeólica caem 25% devido à ausência de turismo

Lucros da energética Cabeólica aumentaram 50% em 2021

Os lucros da Cabeólica, uma parceria público-privada com financiamento internacional que permitiu instalar em Cabo Verde quatro parques eólicos, aumentaram 50% em 2021, para quase três milhões de euros.

Segundo o relatório e contas da Cabeólica, consultado hoje pela Lusa, o resultado líquido da empresa passou de cerca de 206 milhões de escudos (1,8 milhões de euros) em 2020 para mais de 310 milhões (2,8 milhões de euros) no ano passado.

Em 2020, devido às repercussões económicas da pandemia de covid-19, a produção dos quatro parques eólicos da Cabeólica em Cabo Verde caiu 17,3%, para 64.926 MWh (Megawatt-hora), aumentando em 2021 para 72.343 MWh.

Em 2019, antes dos efeitos da pandemia, a Cabeólica registou lucros de 277 milhões de escudos (2,5 milhões de euros).

“Nestas condições e beneficiando de condições meteorológicas favoráveis, tenho o prazer de realçar que a Cabeólica operou os quatro parques eólicos de forma eficiente e rentável, registando um desempenho positivo em 2021. Com mais um ano de produção contínua e fornecimento de energia limpa e de qualidade à rede pública de distribuição, as vendas de eletricidade e os resultados líquidos foram superiores ao atípico ano de 2020”, descreve a presidente do conselho de administração da empresa, Kudzayi Hove, na mensagem que consta do relatório e contas.

A empresa manteve no ano passado a potência instalada de 25,5 MegaWatts (MW), com 30 turbinas eólicas distribuídas pelos parques nas ilhas de Santiago (11), Sal (09), São Vicente (07) e Boa Vista (03).

“O desempenho da tesouraria da empresa permitiu ainda a distribuição de dividendos, para além de honrar as responsabilidades orçamentadas”, acrescenta-se no documento, referindo-se à decisão de distribuir 18% dos lucros aos acionistas e os restantes 82% para aplicação em reservas.

As vendas de eletricidade da Cabeólica à rede pública, através da empresa estatal Electra, caíram em 2020 quase 7%, para 1.172 milhões de escudos (10,6 milhões de euros), num ano “marcado pela forte redução da procura, sobretudo nas ilhas turísticas do Sal e da Boa Vista, em resultado da pandemia de covid-19”.

Contudo, em 2021, essas vendas cresceram para quase 1.231 milhões de escudos (11,1 milhões de euros), segundo o relatório e contas da empresa.

O turismo representa 25% do Produto Interno Bruto de Cabo Verde, mas o setor esteve praticamente parado de março de 2020 até ao quarto trimestre de 2021, devido às restrições nacionais e internacionais para conter a pandemia de covid-19.

Os parques da Cabeólica resultaram de um acordo de Parceria Público-Privada, de 2008, entre InfraCo Africa Limited, o Governo e o grupo estatal Electra, e seis anos depois atingiu o seu recorde, garantindo cerca de 24% da eletricidade consumida no arquipélago, tornando Cabo Verde num dos países com a maior taxa de penetração de energia eólica no mundo.

Atualmente, 50% do capital próprio da Cabeólica está nas mãos da AFC Equity Investments, uma subsidiária detida a 100% pela Africa Finance Corporation (AFC), seguindo-se a African Energy Transition, com 44% – adquirida em outubro de 2021 por aquela empresa do grupo dinamarquês AP Moller Maersk -, pertencendo ainda 3,75% ao grupo estatal cabo-verdiano Electra e 2,25% ao Estado de Cabo Verde.

Lusa

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