Lucros da seguradora Garantia aumentam 17% para 210,7 milhões de escudos

Os lucros da seguradora Garantia, do grupo de origem portuguesa Fidelidade, aumentaram 17% em 2021, face ao ano anterior, para 1,9 milhão de euros, apesar da crise económica provocada pela pandemia de covid-19.

Segundo o relatório e contas consultado hoje pela Lusa, a maior seguradora do país (estima ter uma quota de mercado de 62,8% face aos 62,0% em 2020), o exercício de 2021 fechou com um resultado líquido superior a 210,7 milhões de escudos (1,9 milhão de euros), tendo o conselho de administração aprovado que 10% desse valor será aplicado na reserva legal e 30% transferido para outras reservas.

Os restantes 60%, equivalente a praticamente 126,5 milhões de escudos (1,1 milhão de euros), serão distribuídos pelos acionistas, como dividendos do exercício de 2021.

“Os dois últimos exercícios económicos puseram à prova a solidez e a resiliência deste setor”, reconhece a administração, na mensagem no relatório e contas.

O documento acrescenta que “agravando a quebra de 6% registada na carteira de seguros de Acidentes de Trabalho no ano de 2020”, a 30 de setembro de 2021, este ramo apresentava uma quebra de 12,8%, “fruto do forte abrandamento da atividade económica, sobretudo no setor turístico”. Reconhece ainda que os seguros de viagens, setor “também bastante afetado pela crise pandémica”, apresentaram uma recuperação de 32,2%, face à quebra de 60,6% registados em 2020.

“Não obstante todos os desafios, estima-se um crescimento de 33% para a carteira Vida e 7% para a carteira Não Vida”, lê-se ainda.

Segundo o documento, o resultado por ação da maior companhia de seguros de Cabo Verde aumentou de 900 escudos para 1.054 escudos (8,1 para 9,5 euros) e a taxa de rentabilidade líquida da carteira cresceu de quase 11% em 2020 para 12% em 2021.

A Fidelidade – Companhia de seguros detém uma participação de 55,89% do capital social da seguradora Garantia, enquanto o Banco Comercial do Atlântico (de Cabo Verde, do grupo Caixa Geral de Depósitos) assume uma quota de 25% e o Instituto Nacional de Previdência Social de 12,19%, cabendo ainda 4,5% aos Correios de Cabo Verde, enquanto os restantes quase 2,42% das ações estão nas mãos dos trabalhadores.

A seguradora reconhece que em 2021, “apesar do contexto económico e financeiro que o mercado cabo-verdiano herdou” do ano anterior, “alguns setores de atividade foram, gradualmente, retomando a normalidade, refletindo-se em alguns ramos”.

“Os seguros de viagem que, até 2019 cresciam a uma taxa média de 21%, decresceram 58% em 2020, já dão sinais de recuperação, com um crescimento de 38% em 2021”, aponta.

A seguradora emitiu prémios de mais de 1.568 milhões de escudos (14,2 milhões de euros) no setor “Não Vida” em 2021, um aumento de 10% que sucede à queda de 7% em 2020, e de quase 278,5 milhões de escudos (2,5 milhões de euros) para o setor “Vida”, que cresceu 23% face a 2020, que por sua vez já tinha aumentado 15% em comparação com 2019.

Com 131 trabalhadores, a seguradora Garantia fechou 2021 com um capital próprio de 1.615 milhões de escudos (14,5 milhões de euros), superior em 9% face a 2020. A carteira de investimentos financeiros líquidos cresceu 10%, para 2.690 milhões de escudos (24,3 milhões de euros).

A Garantia – que resultou da cisão do Instituto de Seguros e Providência Social de Cabo Verde e posterior privatização, em 1992 – é controlada pelo grupo Fidelidade. Este, na sequência da privatização da companhia portuguesa, passou a ter a FOSUN International Limited (FIL), através da Longrun Portugal, SGPS, como principal acionista, com 84,9861% do capital social.

A Caixa Geral de Depósitos continua como acionista estratégico, detendo 15% do capital social da Fidelidade.

 

Lusa

 

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