Mali vai criar comité nacional para paz e reconciliação

Junta Militar do Mali vai criar um comité para a reconciliação nacional. Medida surge após a retirada do país dos acordos de paz de 2015 mediados pela Argélia. Argel, por seu turno, vê a situação com “preocupação”.Junta Militar do Mali vai criar um comité para a reconciliação nacional. Medida surge após a retirada do país dos acordos de paz de 2015 mediados pela Argélia. Argel, por seu turno, vê a situação com “preocupação”.

A junta do Mali emitiu na sexta-feira (26.01) um decreto para criar um comité para organizar conversações nacionais de paz e reconciliação, um dia depois de ter posto fim a um acordo de paz de 2015 com os rebeldes separatistas tuaregues e de ter acusado a Argélia de interferir nos seus assuntos.

A decisão de pôr fim ao chamado acordo de Argel ameaça desestabilizar ainda mais a nação da África Ocidental, devastada pelo conflito.

Numa aparente tentativa de estabelecer um novo processo de paz interno, o decreto da junta delineou a estrutura de um comité e os passos que este deve dar para preparar as conversações. Não avançou um calendário nem disse que grupos pretendia incluir no diálogo.

Na sexta-feira, os rebeldes tuaregues reconheceram o fim do acordo de paz de 2015, mas não mencionaram a nova iniciativa.

Argélia lamenta fim dos acordos

Por seu turno, o Governo argelino expressou este sábado (27.01) a sua “profunda preocupação” com a retirada do Mali dos acordos de paz, após o anúncio na quinta-feira passada pela junta militar do país.

A Argélia regista “com grande pesar e preocupação” a decisão, “cuja gravidade deseja sublinhar especialmente para o próprio Mali, para toda a região que aspira à paz e à segurança, e para toda a comunidade internacional que colocou todo o seu peso e os seus muitos meios para ajudar o Mali a regressar à estabilidade através da reconciliação nacional”, pode ler-se num comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros argelino.

O país magrebino, promotor destes acordos, considera que as decisões tomadas ao longo dos últimos dois anos “prepararam cuidadosamente o terreno para o abandono da opção política em favor da opção militar como meio de resolver a crise maliana”, disse Argel.

Crise diplomática

A crise agravou-se há um mês, quando as autoridades argelinas convocaram o embaixador do Mali, Mahamane Amadou Maiga, pouco depois de Bamako ter chamado o representante diplomático argelino para consultas sobre a “interferência” de Argel na audiência dada ao influente imã Mahmoud Dicko, uma figura religiosa que se opõe à junta militar maliana.

O Mali acusou esta semana a Argélia de “instrumentalizar” o acordo de paz e de acolher “sem consulta nem notificação prévia” cidadãos malianos “subversivos” ou “perseguidos pela justiça maliana por atos de terrorismo”.

A Argélia, país vizinho do Mali, desempenhou um papel preponderante na mediação do regresso da paz no norte do Mali, no âmbito do “Acordo de Argel” de 2015 entre Bamako e os representantes dos principais grupos rebeldes (tuaregues e árabes) da região.

Os combates entre o exército do Mali e os separatistas voltaram a intensificar-se desde agosto passado, à medida que disputam posições durante a retirada gradual das forças de manutenção da paz da ONU.

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