Manifestações opostas agendadas para sábado em Bissau

A Frente Popular diz que vai sair às ruas no próximo sábado contra a dissolução do Parlamento. Um segundo movimento anunciou que vai protestar no mesmo dia para exigir respeito pelo chefe de Estado.

A “Frente Popular” diz que está determinada e, no próximo sábado (18.05), vai sair às ruas em nome da “salvação da democracia”, contra a dissolução do Parlamento. em dezembro passado.

Fernando Mandinga da Fonseca, um dos membros da coordenação da “Frente Popular,” chama a atenção das autoridades para o “descaminho” que o país está a percorrer.

“A coordenação da Frente Popular está a levar a cabo encontros em diferentes bairros [para a população] participar em peso nesta marcha” conta Fernando Mandinga da Fonseca em declarações à DW.

Esta será a primeira grande ação da “Frente Popular”desde que foi criada, em março deste ano. Os organizadores querem realizar protestos em todo o território nacional e em alguns pontos da diáspora – Portugal e França foram os países escolhidos.

Contra-manifestação

Para o mesmo dia foi agendada outra manifestação em Bissau, organizada pelo recém-criado movimento “Rispitu pa Autoridadi di Stado” (“Respeito pelas Autoridades do Estado”).

Pouco se sabe sobre este movimento. À DW, um dos responsáveis, Jenecepa Adriano Nanque diz que vão exigir respeito pelas decisões do Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló: “Queremos manifestar a nossa confiança e o respeito ao Presidente da República, e manifestar contra as perturbações da governação”, explicou.

O sociólogo Diamantino Domingos Lopes considera que as duas manifestações num único dia, com objetivos diferentes, espelham a divisão do povo guineense face a uma profunda crise política.

“Havendo duas manifestações – uma pró-regime e outra pró-povo, para não dizer contra o regime – isso deixa compreender o quão dividido está o povo guineense. Quer dizer, não há uma consciência coletiva do povo guineense em torno dos problemas que vive”, afirma Diamantino Lopes.

Seja a favor ou contra o “regime”, o secretário de Estado da Ordem Pública, José Carlos Macedo Monteiro, lembrou na semana passada que continua em vigor um despacho do Governo que proíbe protestos.

“Não recebemos nenhuma carta da Frente Popular. O que recebemos é do movimento “Respeito pelas Autoridades do Estado”. Mas quero deixar bem claro: Enquanto não existir um documento que revoga o despacho do Estado, ninguém sairá às ruas para manifestar”, garantiu o responsável.

O sociólogo Diamantino Domingos Lopes afirma, no entanto, que as manifestações são inevitáveis tendo em conta o estado atual do país: “Estamos numa situação insuportável, faz sentido reclamar. As instituições políticas não funcionam, o que mostra que a democracia está em causa”.

Protesto “vai acontecer”

Fernando Mandinga da Fonseca, da “Frente Popular”, promete que a manifestação de sábado vai acontecer, com ou sem proibições do Estado.

“Estamos tranquilos, cumprimos a formalidade de dar anuência as autoridades. Lamentamos, mas isso não nos tira o sono, e vamos tranquilamente realizar a nossa manifestação. O povo vai estar nas ruas no dia 18”, afirma.

Apesar do decreto que impede manifestações, em vigor desde janeiro, vários líderes políticos têm promovido comícios populares em diversas regiões. Na última semana, o próprio secretário de Estado da Ordem Pública foi recebido numa manifestação pública em Gabú, leste do país.

As forças de defesa e segurança são os únicos que podem comprometer as manifestações de sábado, alerta o sociólogo Diamantino Domingos Lopes: “Impedir a realização da manifestação pública é anticonstitucional e antidemocrático. Cabe às autoridades garantir que tudo corra na normalidade. Fazer o contrário é violar os princípios democráticos”, conclui.

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