Maria Mendes, a instrutora de condução que há 13 anos ensina as pessoas a fazer a carta em São Vicente

Maria Mendes, 39 anos, é uma das poucas mulheres que decidiram aventurar-se no mundo da instrução de condução diz-se “muito satisfeita e realizada” por estar há 13 anos neste ramo dominado pelos homens.

Natural do Fogo, Maria Mendes disse à Inforpress que, desde muito nova, sempre quis tirar a carta de condução, mesmo sem ter um carro parado à porta de casa, e foi com esta certeza que aos 18 anos já tinha a sua carteira na mão e nada e nem ninguém mais a podia tirar.

Entretanto, ensinar outras pessoas a conduzir foi algo que apareceu por acaso, já em São Vicente, ilha onde vive há 20 anos, depois de se ter casado.

Não se apegando a nenhum “sinal de stop” ou de “proibição”, em 2009, passou a conciliar a sua profissão de comerciante com a de instrutora de condução e desde aquela data nunca mais parou, porque, como salientou, é das mulheres que procuram a igualdade em tudo, “até num mundo dominado pelos homens”.

“Porque não? Penso que a igualdade não deve ser só no papel, igualdade no dia-a-dia, igualdade em tudo, foi por isso que fiz essa escolha”, lançou, com a ideia de ter ultrapassado um desafio.

Agora, diz sentir-se realizada, principalmente depois de ter criado vínculo com alunos e de perceber que, devido à sua influência, pessoas que já tinham reprovado algumas vezes e outras que se mostravam bem inseguras, ultrapassaram essas barreiras e hoje são condutoras.

“Cada um tem uma dificuldade diferente, ajudá-los a ultrapassar e ver que quando vão aos exames acabam por passar é mesmo uma maravilha”, confessou esta mulher de outros “mil ofícios”, entre eles de cabeleireira, confeiteira, e até de técnica de montagem de conteúdos televisivos, com estágio realizado Rádio Televisão Cabo-verdiana (RTC).

E é com esta mesma “fibra” que neste momento se posiciona como a única mulher instrutora de condução, em São Vicente, mas, um destaque que pode ter os dias contados, uma vez que na família, além do marido, já contagiou a irmã a seguir a mesma profissão.

Tudo porque, para Maria Mendes, ensinar as pessoas a conduzir é “muito bom” e também é uma opção bem válida de emprego nos tempos difíceis que correm.

“Sempre há pessoas a tirar a carta de condução, porque é agora um documento necessário e sempre há falta de instrutores”, justificou a instrutora, que tem sido bem solicitada pelos alunos do recém-criado Centro de Educação Profissional e Condução Automóvel (Cepa), onde trabalha, em Chã de Alecrim.

Uma preferência, que liga ao facto de as mulheres serem “muito mais pacientes” por também serem mães.
Ademais, asseverou, as condutoras “estatisticamente têm menos acidente de viação por fazerem as coisas com mais atenção, rigor e paciência”, e fazem-nas assim para contrariar a célebre crítica, “ah, é uma mulher ao volante”.

“Eu adoro ensinar os alunos mais difíceis, especialmente se for mulher, mais para lhes mostrar que somos capazes”, considerou, admitindo, embora, que nunca teve qualquer tipo de preconceito e discriminação, nem da parte de alunos, nem de colegas (homens) instrutores.

Hoje, Maria Mendes diz-se “cada vez mais apaixonada” pela instrução de condução, e não equaciona, “nem de perto, nem de longe”, deixar o ofício tão cedo e rumar para outras paragens.

Inforpress

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on pinterest