Menos de 10% dos vendedores do Sucupira têm contabilidade organizada e estão inscritos na Segurança Social

Menos de 10% dos vendedores do mercado do Sucupira, na cidade da Praia, têm contabilidade organizada e estão inscritos no Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), revela um estudo encomendado pela Câmara Municipal da Praia.

O estudo, que vai ser apresentado na tarde hoje, no quadro do fórum internacional sobre “mercados informais: impactos e complexidade do social”, teve, de acordo com um dos autores, Vladmir Silves Ferreira, um caráter censitário e abarcou apenas os vendedores do perímetro interno, tendo sido registado 695 vendedores, sendo que no momento da recolha de dados, em Dezembro 2021, estavam 42 barracas inativas.

De entre os utentes do mercado, o estudo destaca que a maioria são mulheres (+65%) e identificou uma presença significativa de imigrantes (cerca de 36%), sendo que nacionalidade estrangeira com maior presença é a senegalesa.

Vladimir Silves Ferreira adiantou que o estudo abarcou outras dimensões como a inscrição do sistema de segurança social e a participação em associações.

“Nós percebemos que há muita baixa inscrição no sistema de previdência social – muito residual abaixo dos 10% – e que há pouca participação em associações da classe, ou seja, há muitas fragilidades a esse nível”, disse.

Por isso, uma das recomendações do estudo é fazer um trabalho no sentido de aumentar a inserção da classe no sistema de segurança social e incentivar as pessoas a manterem a sua contabilidade organizada e a organizarem em associações para melhor defender a classe.

Vladimir Silves Ferreira adiantou, entretanto, que há uma consciência da parte dos mesmos da necessidade de formalizarem os seus negócios, havendo uma certa abertura.

No entanto, demonstraram uma percepção da perda gradual do volume das vendas e das receitas, isto é, que o mercado de Sucupira já teve uma maior dinâmica e maior impacto na economia cabo-verdiana, uma situação que pode ser justificada com a proliferação das lojas, sobre das lojas chinesas.

O estudo, que contou com as participações do sociólogo Paulo Veríssimo e Cesário Varela, vai ser apresentado na tarde de hoje no quadro do fórum que está a ser promovido pela Câmara Municipal da Praia.

O fórum internacional sobre “mercados informais: impactos e complexidade social” reúne agentes do sector informal, organizações da sociedade civil, organismos internacionais e especialistas, estudiosos e acadêmicos para uma reflexão sobre o assunto com enfoque nos mercados informais e com maior destaque sobre o mercado Sucupira, considerado o maior mercado informal do município.

“Sistemas de financiamento da economia informal, mutualismo e protecção”, experiências imigratórias em Cabo Verde e inserção em mercados locais: uma análise a partir da sucupira”, “Feiras na África Ocidental: metáfora e performance: lugares de produção e transformação de identidade e imagens do mundo de fora” são alguns temas que vão debatidos no evento.

Inforpress

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