Mercenários do grupo Wagner saqueiam diamantes na RCA para vender na Europa

Investigação internacional revela que o grupo paramilitar russo Wagner está a saquear diamantes na República Centro-Africana para depois os vender para a Europa, através de empresas de fachada.

O grupo paramilitar russo Wagner, liderado por Evgueni Prigozhin, está a saquear diamantes na República Centro-Africana (RCA) para depois os vender para a Europa, através de empresas de fachada, revelou esta sexta-feira (02.12) uma investigação internacional.

Este trabalho conjunto de investigação, realizado pela European Investigative Collaborations, o projeto All Eyes on Wagner e o Dossier Centre, denunciou que a empresa Diamville opera como um braço de Wagner na República Centro-Africana.

Através de uma rede de empresas, com ligações ao grupo Wagner, a análise detalhada explica que uma especialista em diamantes mudou-se para a República Centro-Africana em setembro de 2018, onde avaliou as pedras preciosas e posteriormente as colocou à venda na sua rede social Facebook.

A Diamville, empresa alvo da investigação, foi inscrita no registo comercial da República Centro-Africana em março de 2019 e tornou-se um “escritório de exportação de ouro e diamantes autorizado por decreto do Governo” em outubro de 2019.

O ’email’ no registo aponta para um número de telefone russo e duas contas em duas redes sociais estão associadas a este contacto. A página do Facebook, explica a investigação, pertencia anteriormente a um utilizador chamado “Lanadiamanter”.

Nesse perfil, cuja primeira publicação é de janeiro de 2020, havia fotos de diamantes à venda, além de fotos pessoais de uma mulher que foi identificada como Svetlana Troitskaia, que gosta de ponto cruz e desportos.

Negócios entre amigos

Troitskaia, além de engenheira especializada em física de diamantes, já trabalhou em diversas empresas e chegou a lecionar na Russian State University for Geological Prospecting (MGRI), segundo dados fornecidos no seu perfil na rede social LinkedIn.

Nesta plataforma, a própria Troitskaya garante que, de agosto de 2018 a agosto de 2021, desenvolveu um “projeto de negócios” na Rússia e em África através de uma empresa internacional, que não cita. O seu papel, ainda segundo Svetlana Troitskaia, é valorizar os diamantes e oferecer suporte tecnológico para as suas operações de transformação, exportação e importação.

Segundo apurou este consórcio de jornalistas, o responsável pela Diamville tem nacionalidade centro-africana e chama-se Bienvenu Patrick Setem Bonguende, motorista de Dimitri Sitii, conhecida figura russa que tem ligações ao grupo Wagner na capital do país, Bangui.

Outra informação extraída da investigação é que a empresa centro-africana Bois Rouge, dedicada à extração de madeira, e ligada ao grupo de mercenários na República Centro-Africana, foi registada no mesmo dia que a Diamville. A sua diretora, Anastasie Naneth Yakoima, é amiga de Patrick no Facebook.

De Moscovo para Bangui

A investigação ‘regressa’ a Troitskaya para revelar que esta aparece numa fotografia ao lado de Dimitri Sitii, e também de um dos principais assessores políticos de Prigozhin, Evgeny Kopot, em Lobaye, região no oeste do país onde o líder do grupo Wagner tem várias empresas, como a Lobaye Invest.

Os documentos recolhidos pela investigação mostram que Troitskaia viajou de Moscovo para Bangui, através de Casablanca, em setembro de 2018, quando trabalhava para a Russian Service K LLC, empresa de propriedade de Yana Nikitina e que ocupa vários cargos de recursos humanos em diferentes empresas ligadas a Prigozhin.

As provas recolhidas apontam que Troitskaia aparece em documentos que formam uma rede de empresas ligadas ao grupo Wagner, incluindo a M-Finance, para garantir o seu emprego durante o mês em que trabalha como avaliadora de diamantes naquele país africano.

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