Microempreendedora cabo-verdiana aproveita período de festas para promover economia cooperativa

Formada em Relações Públicas, a microempreendedora de 30 anos, contou ao Balai, como iniciou um negócio próprio em plena pandemia da covid-19 e hoje alia-se a outras empreendedoras para expandir a economia local.
Em 2020, durante os períodos de lockdown, provocados pela pandemia da covid-19, a artesã santiaguense com origem foguense, aproveitou o tempo livre para pôr em prática um dos seus hobbies favoritos, a decoração e outros trabalhos manuais.
“Resolvi criar uma página nas redes sociais que chamei de Rodiashome, onde publicava conteúdos que achava interessantes e que tinham a ver com a decoração, culinária, cuidados com as plantas e pequenos projetos do tipo, “faça você mesmo” (DIY), e ensinava as pessoas a produzirem pequenos trabalhos de customização”, conta.
Entre os conteúdos que criava no seu perfil, os dos bordados feitos à mão foram os que mais tiveram repercussão entre os seguidores e que em pouco tempo passaram a ser solicitados para encomendas.
O efeito fez com que Ródia passasse a levar os trabalhos “mais a sério” e fazer com que a Rodiashome passasse de uma página voltada à decoração, para um espaço de negócio virado à arte de customização e bordados em t-shirts.
“Ainda em criança fui exposta a ambientes que envolviam a produção de trabalhos manuais com agulhas e tecidos, tanto nas aulas de expressão plástica na escola como em casa, através da minha tia que era bordadeira e a minha avó que era costureira”, explica sobre o gosto pela arte, que apesar de ter nascido na infância, se tornou numa “nova paixão” já na fase adulta.
Embora os bordados sejam uma fonte de renda para Ródia, uma vez que já fez encomendas para outras ilhas como Fogo, São Vicente, Santo Antão, Sal e até mesmo para fora do país, ainda se mantém como uma atividade para as horas vagas, uma vez que não é a sua principal ocupação, o que segundo diz, a desafia a fazer um malabarismo entre as duas vertentes.
Além desse aspeto, a consultora que há alguns anos não se imaginava como empreendedora no ramo artesanal, apontou alguns dos desafios com os quais tem lidado ultimamente. Como a questão de ser ela sozinha a produzir as peças, o que a obriga dar pausas de tempo em tempo, bem como a burocracia alfandegária, tendo em conta a necessidade de importar alguns materiais que usa na confecção dos seus trabalhos.
Economia cooperativa: empreendedores como aliados
Com um perfil nas redes sociais preenchido pelos trabalhos manuais de sua autoria, Ródia Vicente aproveitou a época festiva e usou as suas habilidades de comunicação para dar visibilidade às empreendedoras locais através de uma publicação em que indicou os negócios com produtos e serviços disponíveis neste período de Natal.
Uma iniciativa que, conforme defendido pela empreendedora, serviu como uma oportunidade de cultivar a economia cooperativa numa das épocas em que mais se registam grandes circulações monetárias no país, da mesma forma em que muitos empreendedores procuram a oportunidade de dar vazão às suas obras.
“São negócios de pessoas que assim como eu, dedicam parte do seu tempo para criar algo personalizado, o que muitas vezes carrega um significado diferente para quem quer presentear nessa época em que todos nos encontramos mais emotivos e procuramos conexões mais afetivas”, explica sobre a iniciativa que segundo diz, pretende repetir nos próximos anos.
“Além disso, sabemos que esse tipo de ação sempre gera uma reação positiva, como trazer uma cultura em que os empreendedores não se veem como concorrentes, mas sim, como aliados. Dessa forma são capazes de criar uma comunidade de empreendedores que se relacionam entre si e acabam por desenvolver a sua região”, completa.
Hoje com três anos de existência e um, como marca registada, a empreendedora pretende criar coleções customizadas para a decoração, um projeto que conta com a colaboração de uma outra empreendedora.
Além dos bordados em t-shirts, a artista aposta em outros artigos personalizados, um deles pensado também nas necessidades dos empreendedores, como um caderno customizado para o registo de encomendas.

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