Ministra reconhece que país precisa de mais mulheres ao nível das decisões na diplomacia

A ministra da Justiça, Joana Rosa, reconheceu hoje que o país alcançou e tem estado a ter avanços a nível da diplomacia feminina, mas realçou que é necessário ainda ter mais mulheres em cargos de decisão diplomática.

A governante, que falava aos jornalistas no final da abertura da conferência sobre “O papel da Mulher na Diplomacia: Desafios e Oportunidades”, no âmbito do Dia Internacional das Mulheres na Diplomacia, celebrado hoje, sublinhou que é preciso quebrar esse conceito tradicional de que a mulher enquanto mãe tem que cuidar da casa e da família.

Segundo avançou, Cabo Verde começou a ter mulheres em postos de responsabilidade diplomática, a partir dos anos 90, e tem tido avanços, mas precisa ainda de ter mais mulheres a esse nível porque as mulheres demonstram que são tão capazes quanto os homens.

“Tivemos avanços e vamos tendo, mas precisamos ter mais mulheres para as decisões. Hoje fala-se muito na diplomacia económica, na capacidade de atracção de investimento externo para o país, na capacidade das mulheres influenciarem políticas públicas a nível interno e internacional, portanto nada melhor do que temos mais mulheres na diplomacia”, precisou.

Neste sentido, defendeu que é preciso criar condições para que o país possa ter mais mulheres a enveredar-se pela via da diplomática, medida essa, que no seu entender, será um ganho para o país a todos os níveis, mas também na influenciação de políticas públicas e lideranças, não só ao nível nacional, mas também do ponto de vista das representações no exterior.

“Temos de quebrar a barreira à volta da incapacidade e capacidade da mulher nas sociedades, temos de lutar para que haja igualdade e a plena igualdade é onde temos mulheres e homens competentes e não se deve exigir da mulher duas vezes mais do que é exigido a um homem”, apontou a ministra.

Na mesma linha, realçou que a capacidade e o mérito são virtudes que estão presentes nas mulheres e, por mérito, devem ascender aos lugares de liderança ao nível da administração, do poder político, da diplomacia, desde que elas estejam também disponíveis para os desafios do mundo de hoje.

Por seu turno, a secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Miryan Vieira que destacou os ganhos alcançados tanto a nível interno como internacional, defendeu que é preciso fazer um esforço para que o país possa ter mais mulheres a desempenharem cargos de liderança e a participarem activamente nos processos de decisão.

“No quadro de efectivos de diplomatas em Cabo Verde nós estamos numa situação de igualdade: nós temos 39 homens e 38 mulheres, mas quando chega a questão de liderança de chefias ainda temos um desafio e ainda não atingimos a igualdade”, apontou indicando que as estatísticas indicam que a representação das mulheres em organismos internacionais está ainda aquém do desejado.

Segundo disse, os dados das Nações Unidas indicam que cerca de 23% das mulheres participam em processos de negociação da paz, cerca de 6% participam em processos de mediação e esses processos têm tido resultados mais duradouros e sustentáveis quando as mulheres participam.

O acto contou também com a intervenção da coordenadora residente do Sistema das Nações Unidas, em Cabo Verde, Patrícia Portela de Souza, que realçou que a inclusão das mulheres na diplomacia é vista como essencial para a paz, segurança e o desenvolvimento sustentável, benéfica para as mulheres, mas também essencial e vital para o mundo.

Inforpress

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