Ministro apela ao envolvimento da nova geração na proteção aos oceanos

O ministro do Mar, Abraão Vicente, exortou ontem, dia 21, ao sistema das Nações Unidas e a instituições cabo-verdianas que promovam um “maior envolvimento” da nova geração na proteção aos oceanos e na sua sustentabilidade.

O governante fez o apelo na cerimónia de abertura da quinta edição da Cabo Verde Ocean Week (Semana dos Oceanos) que acontece, no Mindelo, até sexta-feira, 25.
Abraão Vicente assegurou terem escolhido o lema “Amar o mar”, mas, que, entretanto, é um amor que “intervém, apela à acção, que vai às comunidades, faz pedagogia, envolve às escolas, cujas acções e preocupações no futuro da humanidade, devem reflectir-se nos questionamentos e intervenções”.

Daí o apelo ao sistema da Nações Unidas e às instituições cabo-verdianas para promoverem um “maior envolvimento” das novas gerações.
“Porque é esta geração quem, de facto, irá salvar a humanidade, pelo olhar com que crescem, pelo olhar com que deleitam e que investigam, e com os interesses sobre as temáticas ligadas ao mar”, advogou.

O ministro disse ser também neste sentido que nesta edição se inaugurou a “Blue talks” (conversas azuis, em português) para “obrigar as instituições ao exercício do minimalismo e apresentar as soluções para o mar”.

“Que oceanos deixaremos às novas gerações e que oceanos deixaremos a nós próprios”, questionou, apontando como objectivo da quinta da CV Ocean Week elevar a consciencialização e fomentar o diálogo para a sustentabilidade dos mares.

Abraão Vicente aproveitou para fazer um elogio público às Organizações Não Governamentais (ONG) e às associações, como o caso do Grupo Carnavalesco Cruzeiros do Norte, que trabalham muitas vezes em zonas que o Governo não consegue chegar.

“E é nesse ‘djunta mon’ (parceria) que acreditamos que a Ocean Week pode ser mais um instrumento pedagógico de elevação da pertença do cabo-verdiano ao próprio mar”, considerou.

Por seu lado, o presidente da Câmara Municipal de São Vicente, Augusto Neves, disse ser possível assumir compromissos para uma nova política dos oceanos que “tem de ser encarada como uma missão”.

Conforme a mesma fonte, os pequemos Estados insulares, de que Cabo Verde faz parte, continuam como “casos especiais” de desenvolvimento sustentável considerando a singularidade e a vulnerabilidade que os limita na prossecução dos objectivos nas suas dimensões económicas, sociais e ambientais.

“Como parceiros, mais do que entrelaçarmos num só nó, devemos dar passos firmes e irreversíveis na partilha com as populações de ideias inovadoras, traduzidas em acções concretas sobre as melhores formas de gerir o mar”, lançou Augusto Neves, para quem isso é essencial para que “acções de poluição e de uso de artes nocivas à pesca e outras prejudiciais deixem de fazer parte dos cabo-verdianos”.

A CV Ocean Week prossegue esta terça-feira, 22, com as ‘Blue talks’, que acontecem no Centro Oceanográfico do Mindelo, versando temas como a “Economia azul: novas oportunidades”, “O ecossistema do mar” e “Um mar de oportunidades”.

O centro da cidade também recebe actividades como a “Feira azul”, realizada no dia 24, na Praça Dom Luís, dedicada às profissões ligadas ao mar.

Faz parte ainda da agenda, a maratona de ideias “Ocean Inovathon – Criação de soluções para os oceanos” que pretende envolver as universidades, start-ups, empresas públicas e privadas e empreendedores para a transferência do conhecimento científico e desenvolver a capacidade de pesquisa e transferência de tecnologia marinha.

A quinta edição da CV Ocean Week contará ainda com outros pontos, entre os quais, o concurso e exposição de fotografias relacionadas com o mar, desportos náuticos, workshops nas zonas piscatórias de São Vicente e termina na sexta-feira, 25, com o “Blue food festival”, que será um festival de produtos do mar a realizar-se na comunidade de Salamansa.

Inforpress/Fim

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