Ministro: Centralizar a economia nos portos é resgatar tradição antiga de Cabo Verde com armadores e ancoragem de navios

O ministro do Mar, Abraão Vicente, assegurou ontem, dia 19, no Mindelo, que centralizar a economia nos portos é resgatar a tradição antiga de Cabo Verde com armadores e ancoragem de navios vivida ainda no tempo da colonização portuguesa.

O governante deu esta garantia hoje no acto de abertura, no Mindelo, do primeiro encontro da Cruise Atlantic Island (CAI), associação que reúne portos dos países da Macaronésia como Cabo Verde, da Madeira (Portugal), de Porto de Las Palmas e Tenerife (Canárias).

Para Abraão Vicente, esta reunião pioneira da instituição, criada em 1994, deverá ser um primeiro momento “de lançar pedras para uma base bonita para a grande plataforma que é a Macaronésia”.

Aproveitou ainda para elogiar a situação da empresa gestora dos portos (Enapor), que disse ser “importante” pelos resultados líquidos, pelo número de pessoas que emprega e pela “capacidade estratégica de congregar à sua volta todos os grandes projetos de Cabo Verde”.

E é por isso que, segundo a mesma fonte, ter a primeira reunião da CAI no Mindelo, numa altura em que se está a entrar em velocidade de cruzeiro na construção do Terminal de Cruzeiros é um “grande momento” para relançar a Enapor e estreitar os laços com os parceiros da Macaronésia.

Por outro lado, ajuntou, a partir do momento que se centralizar a economia nos portos, está-se a “resgatar a tradição antiga cabo-verdiana” com armadores de barcos.

O ministro assegurou ser um “grande equívoco” pensar Cabo Verde como apenas um país que fez parte do tráfico de escravos, quando este foi inicialmente um país de armadores, no qual as “primeiras grandes famílias portuguesas estabeleceram-se como construtores navais e de ancoragem no porto da Ribeira Grande de Santiago, e de onde partiam para a Grande Guiné”.

“Os portos sempre desempenharam esse papel e a primeira reunião da CAI em Cabo Verde acaba por relançar essa perspetiva”, considerou Abraão Vicente, sublinhando a importância da cooperação, de traçar estratégias comuns e fazer a promoção conjunta do corredor do atlântico.
A mesma fonte pediu ainda a transferência de conhecimento e tecnologias dos países da Macaronésia para que “os portos de Cabo Verde também estejam à altura daquilo que são as exigências de padrão internacional para a prestação de serviços”.

O presidente do conselho de administração da Enapor, Ireneu Camacho, por seu lado, quer que este “importante encontro” se traduza na consolidação das relações no sector do turismo de cruzeiros e em potencializar e reforçar as relações entre os países “facilitando o projeto de cada um dos portos”.

Os portos em formato de associação, desenvolvem, assegurou, “um espírito coletivo, a capacidade de junção de esforços e de recursos, a própria criação de valores, que permite crescer em perfeita sintonia dentro da zona de ação que é o atlântico”.

A CAI foi criada com o objetivo de fazer-se a promoção conjunta do destino da Macaronésia nas duas maiores feiras mundiais “Seatrade Cruise Global” e a “Seatrade Cruise Med” via Stand CAI e nas revistas especializadas.

O ato de abertura do primeiro encontro foi seguido de uma visita dos elementos da associação às obras do Terminal de Cruzeiros no Porto Grande.

O evento decorre no Mindelo até esta quarta-feira, 20, com discussões sobre as potenciais abordagens estratégicas na promoção dos destinos, análise da proposta dos estatutos da associação, a decisão do local para receber a reunião de 2023 e outros assuntos.
Do programa consta ainda uma visita à ilha vizinha de Santo Antão.

Inforpress

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