Moradores do bairro de Lém Ferreira vão beneficiar de uma horta comunitária

A iniciativa Horta Verde partiu de uma emigrante, atualmente moradora deste bairro da capital, e visa ajudar no embelezamento do bairro, no cultivo de legumes e verduras e no alargamento do acesso dos moradores a estes produtos.

Natural de Praia e residente em Lém Ferreira, Paula Silva de 47 anos, viveu durante 27 anos na Bélgica e encontra-se atualmente na cidade da Praia para levar a cabo um projeto de uma horta comunitária no bairro onde reside.

Em entrevista ao Balai, Paula Silva diz que o projeto Horta Verde é uma iniciativa que visa ajudar no embelezamento do bairro, no cultivo de legumes e verduras para beneficiar os mais necessitados e no alargamento do acesso a estes produtos naturais. O projeto visa também a autossustentabilidade, bem como levar os moradores a valorizar o meio ambiente.

“Temos que parar de ser dependentes dos alimentos que vêm do exterior, embalados e enlatados”, defende.

Outro apelo de Paula é que os terrenos abandonados sejam aproveitados como espaços verdes, sendo que atualmente estes lugares servem de depósito de lixo para os moradores.

Esta ex-emigrante lamenta que as pessoas não façam a reutilização da água para uso doméstico, algo que do seu ponto de vista deveria ser mais e melhor aproveitado.

Para Paula, a criação de uma horta comunitária é um processo que para além de contribuir para uma alimentação saudável, vai proporcionar um ambiente melhor no bairro.
Acrescenta que Lém Ferreira tem bons espaços para o cultivo de plantas, legumes e hortaliças, mas que toda a comunidade deve fazer um “djuntamon” para que o processo tenha sucesso.

É com este intuito que o bairro de Lém Ferreira recebeu na passada quinta-feira, dia 25, uma limpeza de espaços para a criação de uma horta comunitária, uma iniciativa que contou com o apoio da Câmara Municipal e dos moradores.

Paula Silva que foi funcionária de um projeto social de desenvolvimento comunitário na Bélgica, afirma que ao chegar em Cabo Verde viu muitas construções e poucos espaços verdes.

Depois de pesquisas feitas no site do Governo de Cabo Verde e de ler sobre os dados sobre a desigualdade social, a pobreza e a criminalidade, surgiu a ideia de criar projetos para desenvolver o seu bairro, sendo a horta comunitária apenas um deles.

“Já presenciei “tiros”, “caçu body” e muita criminalidade na minha zona”, conta, mas acredita que, apesar dos problemas, com a colaboração dos moradores a situação no bairro pode melhorar.

Já Laura Reis de 27 anos, estudante de Engenharia Eletrotécnica, uma das mentoras do projeto e presidente Associação Comunitária de Lém Ferreira, Lenfer, afirma que a zona tem também grande potencial para proporcionar aos moradores uma biblioteca e um espaço de lazer, mas, que é necessário apoio para transformar para o efeito um espaço abandonado.

Acrescenta ainda que uma das preocupações da Associação é acabar com o analfabetismo, com uma campanha designada “Analfabetismo zero”, e também resolver os problemas de desemprego na camada jovem, incentivando os jovens a fazer formação em áreas com empregabilidade ou a enveredar pelo empreendedorismo.

Segundo Laura Reis, os moradores têm participado nas atividades na zona e nas limpezas.

É o caso de Ivan de Pina, morador de Lém Ferreira, de 38 anos, que trabalha como segurança, e que é um dos que está a dar o seu contributo para a melhoria do bairro. O morador acredita que o projeto da horta comunitária vai ajudar o bairro a “estar com outra cara” com a criação de espaços verdes.

“Onde há plantas, há vida”, defende Ivan e acrescenta que cultivar plantas perto de casa ajuda a melhorar o ambiente, além de “promover mais saúde para a população” e permite (futuramente) colher alimentos na horta.

Cátia Gonçalves/ estagiária

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