Morte do enfermeiro e desportista Mário César enluta ilha do Fogo

O enfermeiro, atleta e dirigente desportivo, Mário César, faleceu na madrugada de hoje no hospital São Francisco de Assis, onde se encontrava hospitalizado há cerca de dez dias.

Mário César, mais conhecido por Nano de Fátima, que pertenceu ao grupo de primeiros enfermeiros formados no País depois da independência nacional, iniciou as suas funções no ano de 1979, trabalhando sempre no Hospital Regional de São Filipe, com excepção de algum período que viveu nos Estados Unidos da América.

Enquanto enfermeiro teve formação na extracção dentária com um especialista francês e dada a sua disponibilidade, atenção no atendimento dos pacientes independentemente da sua origem ou opção política fez dele “uma figura popular e respeitada” em toda a ilha do Fogo por pessoas adultas e também crianças.


Há pouco mais de dois anos, o Hospital Regional São Francisco de Assis o homenageou atribuindo o seu nome à sala da biblioteca do hospital, em sinal de reconhecimento pelo seu “valioso contributo” ao desenvolvimento do sector da saúde.


No campo desportivo, Mário César praticou várias modalidades desportivas, nomeadamente futebol, andebol e basquetebol, tendo nesta modalidade participado por duas vezes na selecção da ilha do Fogo.


No futebol, que era a sua “grande paixão”, começou a jogar no Boavista da Praia, na qualidade de guarda-redes, mas depois teve passagem pelas equipas foguenses do Vulcânico e Botafogo, integrando depois a Académica, de que era ainda presidente, como defesa esquerdo.


Foi campeão pela Académica, quando esta agremiação conquistou o seu primeiro título regional após a independência nacional, tendo sido convocado por duas vezes para a selecção do Fogo que participou no torneio inter-ilhas e foi chamado uma vez para a pré-selecção de Cabo Verde.


Depois de pendurar as botas, Mário César foi, durante longos anos, treinador da Académica, tendo conquistado vários títulos regionais e troféus a nível nacional e, na qualidade de treinador, além de formação na Cidade da Praia, frequentou estágios com Benfica e Atlético (Portugal).


Orientou por duas vezes a selecção do Fogo, na qualidade de treinador, nas inter-ilhas, sendo que numa das ocasiões levou a selecção do Fogo a final e noutra não passou da primeira fase.


Fausto do Rosário, que privou de perto com Mário César da Académica, como era também conhecido, considerou que ele foi um “exemplo perfeito do que é ser cidadão cabo-verdiano e sobretudo, foguense, um homem profundamente envolvido com a sua ilha, com a vida das pessoas e da sociedade”.


Segundo o mesmo, ele era um profissional competente que exerceu até os últimos dias a profissão com dignidade, competência e com espírito de missão, mas foi também um homem do desporto, tendo colocado Académica do Fogo num outro patamar.


No dizer do Fausto do Rosário, Mário César era alguém que queria ver Fogo acima de tudo e esteve envolvido na democratização da sociedade, foi por duas vezes mandatário do actual presidente e era militante do Movimento para a Democracia (MpD).


“Nunca deixou de ser amigo de todos, por isso era respeitado e acarinhado por todos”, disse Fausto Rosário, observando que o mesmo colocava a amizade, os interesses e bem-estar da ilha do Fogo, que amava, acima de tudo.


Nas redes sociais há manifestações de várias pessoas que privaram com Mário César, uma figura ilustre da ilha.


O funeral de Mário César realiza-se ao final da tarde de hoje com partida da residência em Vicente Dias para o cemitério de São Filipe.


Inforpress/Fim

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