No único casino de Cabo Verde tenta-se recuperar o tempo perdido pela pandemia

No único casino cabo-verdiano as cartas e a roleta já voltaram às mesas e mais de oitenta trabalhadores retomam um negócio que movimenta mais de 150 jogadores diariamente no Sal, após dez meses de paragem forçada pela pandemia.

“Tudo correu mal em março de 2020. Foi um pesadelo, especificamente para a nossa indústria relacionada com hotéis, com entretenimento em geral. Foi um desastre total, o país fechou as fronteiras durante dez meses, durante dez meses estivemos sem trabalho. Mas tomamos a decisão de manter todos os trabalhadores, todos os salários”, começa por explicar à Lusa o empresário francês Jacques Monnier, que sonhou e ergueu em Santa Maria, ilha do Sal, o Casino Royal.

Com 85 ‘slot machines’ e dez mesas de jogo ao vivo, o casino abriu portas em dezembro de 2016, após um investimento privado de quase cinco milhões de euros, agregado ao contíguo Hotel Hilton de Santa Maria.

Ainda hoje o sonho de Monnier, radicado em Cabo Verde há dez anos, é o único casino em todo o país.

“É muito difícil ser o primeiro. E cinco anos e meio depois continuamos a ser o único casino em Cabo Verde e estamos orgulhosos. É algo que funciona muito bem no Sal, que é uma ilha dedicada a férias e com muito turismo”, reconhece o empresário, que nasceu em Paris há 55 anos.

Numa ilha que vive do turismo, que vale também 25% do Produto Interno Bruto de Cabo Verde, o Casino Royal tenta recuperar o movimento anterior à pandemia de covid-19, depois de encerrado de março a novembro de 2020.

“Sobrevivemos, continuamos cá e por isso estamos prontos para continuar em frente”, afirma.

Insistindo na ainda reduzida dimensão do mercado do jogo em Cabo Verde, admite que com eventos temáticos que regularmente organiza, o Casino Royal conta com uma afluência diária – das 18:00 às 04:00 – “entre os 150 e os 300 jogadores”.

“É mais ou menos o mesmo do que antes da pandemia, mas jogam 30% menos”, aponta o empresário, reconhecendo que o volume de negócios do casino é hoje apenas 70% do que era antes de março de 2020 e da covid-19.

Ainda assim, e com o turismo em recuperação desde o último trimestre de 2021, garante que há margem para “melhorar os resultados”, desde logo através de uma forte campanha publicitária em curso em toda a ilha do Sal.

“Quando abrimos o casino esperávamos, inicialmente, 15% de jogadores locais e 85% de turistas. E no final do dia temos 25% de locais e 75% de turistas. Isso significa que temos de – é o que estamos a tentar no momento – mostrar às pessoas que vêm ao Sal que podem divertir-se num casino cá”, afirma.

Localizado na zona do jogo da ilha do Sal, aquele casino tem um período de concessão para 25 anos, dos quais sete são em regime de exclusividade.

“O Sal recebe algo como meio milhão de turistas por ano. Por isso, se conseguirmos uma percentagem [desses turistas], diria entre 5 e 10%, com esse valor, estaríamos muito contentes”, acrescenta Jacques Monnier.

Para o empresário, mais de cinco anos depois da abertura do casino, junto ao areal mais procurado de Santa Maria, e mesmo que dois desses anos vividos em plena pandemia, esta foi uma “oportunidade espantosa”.

“Porque mais de 50% das atividades turísticas [em Cabo Verde] são no Sal. Por isso, no final do dia, o que é que as pessoas estão a fazer aqui? Durante o dia as atividades em toda a ilha, e são muitas, e vão à praia. Mas com o fim do dia temos de ocupar as pessoas e em Cabo Verde o que é mais importante? Música, sim. Mas também podemos fazer outras coisas e o casino é uma alternativa”, garante.

A equipa com que trabalha, de 85 colaboradores, sendo apenas três expatriados, é outro dos orgulhos do empresário neste projeto.

“Foi um desafio atingir esse objetivo, de ter mais de 90, 95% de cabo-verdianos a trabalhar aqui. Levou tempo, a formá-los, mas de momento é uma excelente equipa e estamos muito satisfeitos”, reconhece.

É o caso de Vladimira Marques, de 27 anos, que trocou São Nicolau pelo Sal, onde há quatro anos encontrou no Casino Royal o primeiro emprego na ilha mais turística de Cabo Verde.

Hoje continua a ser a “cara” do casino para quem ali entra.

“Tínhamos mesmo muitas pessoas que vinham para o casino e de repente parou o movimento. Tivemos que nos adaptar, ficar em casa durante um bom tempo. Sentimos a falta de estar em contacto com as pessoas, como estamos aqui diariamente, de vários outros países”, conta à Lusa a rececionista principal do casino.

Após o susto da pandemia, e com a azáfama de regresso à entrada do casino, garante que a recuperação está a correr bem: “No início tínhamos mais locais, mas agora já temos muitos turistas”.

 

Lusa

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