Nove meses depois de deixar a função de PR, Jorge Carlos Fonseca ainda sem Gabinete a que tem direito

 Nove meses depois de deixar a função de Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca ainda não dispõe de um Gabinete que os ex-Chefes de Estado têm direito por lei, mas diz não ver drama nisto e vai aguardar serenamente.

Neste momento, conforme disse à Inforpress, a sua base de trabalho tem sido o escritório de advogados e jurisconsultos que ele próprio fundou muito antes de pensar em ser Presidente da República.

De acordo com a lei, indicou Jorge Carlos Fonseca, os ex-Presidentes da República, para além de alguns colaboradores, têm direito a um Gabinete de Trabalho a ser instalado num edifício público.

“O normal seria que no dia 09 de Novembro de 2021 o Gabinete de trabalho estivesse instalado e pronto a funcionar”, afirmou.

Perguntado sobre que explicações tem recebido das entidades competentes, respondeu nesses termos: “Tem havido alguns atrasos, mas já um pouco longo, de nove meses. Dizem que tem havido problemas com disponibilidade de edifícios públicos, como diz a lei.

De todo o modo, tenho informação de haver já indicação de um espaço num edifício público que necessita de reparações”.

“Não faço nenhum drama com isso. Vou aguardando serenamente. Infelizmente, em Cabo Verde, nem sempre as coisas funcionam bem e desejável do ponto de vista institucional”, lamentou o ex-Presidente da República, para quem este tipo de situações ocorrem, “talvez não tenhamos ainda uma cultura institucional muito forte e enraizada”.

Espera, entretanto, que a solução provisória encontrada para a sua situação de ex-Chefe de Estado não demore por mais tempo.

Segundo ele, nestes nove meses, tem tido “atividades muito intensas”, com visitas a várias ilhas do arquipélago e a países como Angola, onde participou na I Conferência Internacional sobre políticas públicas e administração pública, a convite da Fundação Piedoso, além de Portugal, Itália e Luxemburgo.

No que tange à sua produção literária, revelou à Inforpress que escreve praticamente todos os dias.

“Muitas vezes, escrevo durante a noite ou de madrugada. Depende dos momentos”, lançou Fonseca que confidenciou à Agência Cabo-verdiana de Notícias que dorme sempre com um “caderninho e duas ou três canetas” para registar as coisas que lhe vêm à memória.

Mas, frisou, há muitos anos usava um gravador para registar os momentos da sua inspiração.

“Acordo à noite, porque tenho sono difícil, vou ao computador e faço o registo dos apontamentos. Às vezes, para não perturbar a minha companheira, escrevo sem acender a luz, ou seja, às escuras e acabo por não decifrar bem tudo que escrevi ou escrevo em cima de páginas já escritas”, indicou o escritor e poeta.

Neste momento, conforme adiantou, tem cerca de 30 textos sobre o conflito na Ucrânia e daí a sua próxima obra literária poderá intitular-se “Escritos Ucranianos”.

O ex-Presidente da República deixou hoje Cabo Verde com destino a Angola onde vai chefiar a missão de observação da CPLP às eleições gerais de 24 de Agosto e disse que recebeu o convite com “satisfação” e como um “desafio novo”.

Na sua perspetiva, trata-se de um trabalho de muita responsabilidade porque implica, afinal, uma avaliação, embora este juízo conta com a participação de outros observadores, como a União Europeia, a Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) e da União Africana.

Segundo ele, de uma missão de observação eleitoral espera-se “prudência, ponderação, sentido de moderação e exigência na avaliação”, de forma a não ultrapassar os limites da sua função e contribua positivamente para que as eleições, por um lado, traduzam a vontade genuína dos angolanos e, por outro, sejam aceites por todos.

Inforpress

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