OE’2023: UNTC-CS entende que Governo podia ter ido mais longe na questão da melhoria salarial

 A secretária-geral da União Nacional dos Trabalhadores de Cabo Verde – Central Sindical (UNTC-CS) disse hoje que a melhoria salarial no Orçamento de Estado para 2023 é uma “medida louvável”, mas que o Governo poderia ter ido mais longe.

“Essa medida corrige a desigualdade absoluta, mas mantém a desigualdade relativa”, disse Joaquina Almeida em conferência de imprensa na cidade da Praia, defendendo que se poderia ir mais longe tanto no aumento do salário mínimo na função pública, quanto na melhoria do salário mínimo nacional.

Segundo explicou, uma pessoa ganha 15 mil escudos, auferirá de um aumento de 3,5%, enquanto que outra que ganha 34 mil escudos irá também auferir igualmente de 3,5% de aumento, o que, no seu ponto de vista, faria com que a desigualdade absoluta agravasse em 665 escudos.

“Depara-se, portanto, que há uma preocupação de se corrigir a desigualdade social com a introdução da regressividade no aumento salarial e isso nós apoiamos”, afirmou.

A UNTC-CS tem, conforme Joaquina Almeida, outra preocupação que “o Governo não levou em consideração”, que é o aumento do salário mínimo na função pública que, defendeu, deveria ser indexado à taxa de inflação que ronda os 7,9%, pelo que o aumento seria de 1.185 escudos ao invés de 525 escudos.

“Em relação ao salário mínimo nacional, devido ao atraso na aplicação do compromisso assumido, em 2017, segundo o qual haveria um aumento progressivo de 11 mil para 13 mil e depois para 15 mil em 2021. Se o Governo tivesse cumprido esse compromisso o aumento seria, hoje, para 16 mil escudos”, continuou.

O presidente da Confederação Africana dos Sindicatos Livres (CCSL) revelou sexta-feira que o Orçamento do Estado (OE) para o ano económico de 2023 aumenta o salário mínimo nacional para 14.000 escudos e atualiza o salário das classes profissionais de categorias mais baixas na administração pública.

José Manuel Vaz deu estas novidades à imprensa a saída da reunião da concertação social, tendo especificando que quem ganha dos 15.000 escudos aos 33.000 escudos vai ter um aumento de 3,5% e dos 33.000 escudos aos 51.000 escudos um aumento de 2% e quem ganha até 69.000 escudos terá um aumento de 1%, incluindo os pensionistas a nível nacional”.

Cabo Verde enfrenta uma profunda crise económica e financeira, decorrente da forte quebra na procura turística – sector que garante 25% do Produto Interno Bruto (PIB) do arquipélago – desde Março de 2020, devido à pandemia de covid-19.

Em 2020, registou uma recessão económica histórica, equivalente a 14,8% do PIB, seguindo-se um crescimento de 7% em 2021 impulsionado pela retoma da procura turística.

Para 2022, devido às consequências económicas da guerra na Ucrânia, nomeadamente a escalada de preços, o Governo baixou a previsão de crescimento de 6% para 4%.

Inforpress

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