“Ouso dizer que a universidade (pública) deveria ser gratuita”, defende presidente da Associação dos Estudantes da Uni-CV

Há cerca de dois meses que Universidade de Cabo Verde inaugurou o novo campus universitário que tem capacidade para acolher mais de cinco mil estudantes e professores. Em conversa com o Balai Cabo Verde, o presidente da Associação de Estudantes da Uni-CV, Alector Timas, diz que o novo campus trouxe mais-valias, mas realça que a instituição de ensino precisa de mudanças urgentes no que tange à comunicação com os estudantes e a gestão.

A Uni-CV assinalou no passado dia 22 de novembro 15 anos de existência com um novo campus na cidade da Praia, orçado em 5,6 milhões de contos e financiado pela República Popular da China. Com capacidade para acolher mais de cinco mil estudantes e professores, o novo espaço está localizado no Palmarejo Grande, numa área ainda afastada do centro da cidade da Praia.

“Inicialmente, a mudança para o novo campus trouxe alguma inquietude em relação ao transporte, mas depois acabamos por verificar que era uma mais-valia. Temos uma estrutura de alta qualidade com auditórios, laboratórios, residência estudantil, biblioteca, salas equipadas com aparelhos de última geração (…). A maior vantagem é que estamos todos juntos e a universidade consegue dar resposta rápida em qualquer situação”, diz Alector Timas de 24 anos que foi empossado como presidente da Associação dos Estudantes da Universidade de Cabo Verde (ACAD Uni-CV) em junho deste ano.

De acordo com este estudante que está a concluir a licenciatura em Psicologia das Organizações, Social e do Trabalho, o novo campus da Uni-CV foi idealizado para acolher estudantes cabo-verdianos e internacionais e por isso há que se criar uma cultura académica forte para incentivar estudantes de fora a estudar em Cabo Verde.

“Há estudantes do Brasil, São Tomé e Príncipe e de Portugal que estão a fazer mobilidade na Uni-CV e está prevista a chegada de outros países. Queremos criar uma dinâmica e uma boa cultura académica para incentivar estudantes de outros países a virem estudar na Uni-CV. Temos uma boa cultura académica, bom acolhimento e a integração aqui é mais fácil”, conta e revela que os estudantes da Uni-CV têm a possibilidade de fazer mobilidade em outros países, como foi o seu caso que participou num programa de mobilidade em Espanha.

Questionado sobre quais são os principais desafios da universidade, o representante dos estudantes diz que são custos inerentes ao ensino.

“Tenho constatado que os jovens querem estar dentro da universidade, mas a maioria não consegue bolsas de estudo. O governo precisa apostar mais na educação”, diz e vai mais longe ao defender que a universidade deveria ser gratuita. “Como disse Nelson Mandela, a educação é a maior arma para mudar o mundo. Então, ouso dizer que a universidade (pública) deveria ser gratuita”.

Dar prioridade aos estudantes

Alector Timas diz que desde que regressou ao país depois do programa de mobilidade constatou que na Uni-CV os estudantes não são uma prioridade para a instituição.

“Há coisas que acontecem na instituição de ensino que nos deixam tristes. No outro dia, o administrador da universidade disse que os estudantes não são uma prioridade dentro da universidade. Agora coloco esta questão, quem é prioridade para a Universidade de Cabo Verde se não são os estudantes? Desde que regressei tenho reparado que não estão a dar prioridade aos estudantes em nada. Precisamos de mais amor e empatia”, diz indignado.

Em forma de balanço, Alector Timas diz que a instituição de ensino carece de mudanças.

“Fizeram muitas coisas, mas é preciso melhorar no que tange à comunicação com os estudantes. Há muitas coisas que acontecem dentro da universidade, mas a informação não chega aos estudantes. Por exemplo, temos uma residência universitária que ainda carece de informação para os universitários. É preciso também fazer uma maior gestão da universidade. Já chegou a hora de tomar uma decisão. O futuro reitor da Uni-CV deve pensar bem antes de candidatar-se porque há muita coisa que precisa ser alterada e há que valorizar mais os estudantes”.

A deslocação para a universidade é outra questão que tem preocupado a Associação académica.

“A empresa Sol Atlântico já garantiu que vai aumentar o número de autocarros. Somos a maior universidade pública do país e depois não há uma berma/ passeio que dê acesso à universidade. É preciso mais recursos porque estamos lentos nas respostas”, conclui.

 


Segundo dados do site oficial da Uni-CV, o novo campus foi projetado para acolher 4.890 estudantes e 476 professores em 61 salas de aulas, 5 auditórios com capacidade para 150 lugares, oito salas de informática, oito salas de leitura, 34 laboratórios, salão multiúsos, com capacidade de 654 lugares, refeitórios, biblioteca, dormitórios e espaços desportivos.


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