António DePina, o jovem que colocou o nome de Cabo Verde na lista da Forbes 30 Under 30 África

Aos 24 anos deixou o basquetebol profissional, mas o desporto continuou a fazer parte do seu dia-a-dia. Criou uma plataforma online que designa como ‘uma Linkedin do Basquetebol’, é o mentor da Praia Basketball League e lançou em Cabo Verde a app Go Zoomly. Estes feitos valeram-lhe a entrada para a lista da Forbes dos 30 Under 30 África 2021, onde é o único de origem PALOP.

Decorre no Botswana até o dia 28 de abril a Forbes Under 30 Summit Africa 2022. A cimeira que acontece pela primeira vez no continente africano e reúne jovens empresários e investidores é uma oportunidade de networking e conta com um representante de Cabo Verde. Trata-se do antigo basquetebolista e empreendedor António DePina integrante do ranking da Forbes 30 Under 30 África 2021. Em entrevista ao Balai o jovem falou sobre o seu percurso.

Filho de pai cabo-verdiano, natural da Brava, e de mãe libanesa, Tony, como é conhecido pelos colegas, nasceu e cresceu nos EUA, mais concretamente no estado de Delaware. “Sou um americano de primeira geração, mas as minhas raízes estão em África. Voltei porque quero apoiar quer a nível da tecnologia quer a nível do desporto, não apenas Cabo Verde, mas África em geral. É a minha missão”.

O interesse pelo desporto, mais concretamente pelo basquetebol, surgiu desde muito cedo. Começou a jogar na Universidade Kutztown da Pensilvânia, onde estudou Justiça Criminal, para depois passar para a Universidade de Lincoln no mesmo estado, sendo que como profissional jogou na Europa pelos emblemas do Eléctrico FC de Portugal e BC Martorell de Espanha.

Encerrou a carreira enquanto atleta profissional aos 24 anos, mas o desporto continua a fazer parte do seu dia-a-dia.

“Nunca quis ser a pessoa que apenas recebe o dinheiro, mas sim a que dá o dinheiro”.

Chegou a participar na edição americana de um reality show da Netflix, intitulado The Circle, que estreou em 2020 e apesar de António não ter alcançado o pódio, o atleta explica que o programa lhe deu visibilidade e permitiu-lhe criar um networking importante.

Foi depois da sua participação no programa que o jovem conseguiu lançar a app Overseas Basketball Connection. “É uma espécie de Linkedin do basquetebol”, explica.
Já em Cabo Verde quis fomentar o seu desporto predileto através da primeira liga profissional de Basquetebol do país. Surgia assim em 2021 a Praia Basketball League. O objetivo é fazer desta liga a Premier Basketball League de África.

Esta ideia surgiu quando estava ainda a jogar na Europa. “Questionava-me porque é que os jogadores africanos tinham de ir para a Europa para jogar basquetebol. Conversando com os meus colegas africanos entendi que a maioria se queixava de que não havia oportunidades nos seus países, não havia uma liga profissional de basquetebol que lhes pagasse o mesmo que conseguiriam ganhar na Europa”.

Foi depois de abandonar o basquetebol profissional que o jogador resolveu fixar-se em Cabo Verde e apostar na Praia Basketball League, que cresceu e passou a intitular-se Cabo Verde Basketball League ( CVBL ) e em junho deste ano terá a próxima edição.

O ano de 2021 trouxe outra conquista com a qual não estava a contar. Em abril, estava em casa quando recebeu um email a dizer que tinha entrado para a lista da Forbes 30 Under 30 África. “Foi espetacular. Faz-te sentir que todas as tuas ideias e noites sem dormir valeram a pena, que valeu a pena vir para Cabo Verde e começar algo”.

Esta semana, António DePina, que é o único de origem PALOP da lista, foi um dos oradores na cimeira Forbes Under 30 África 2022 que decorre até o dia 28 de abril, em Botswana.
Antes de partir, o jovem mostrou-se feliz por esta ser uma oportunidade de representar Cabo Verde e de falar sobre tecnologia.

Apesar desta distinção, António está consciente que o sucesso não existe sem trabalho e dedicação e salienta que ao longo do caminho é normal ter dúvidas. “O importante é começar”. Este é o principal conselho que deixa aos jovens. “Oiço muitas vezes os jovens queixarem-se de que não podem começar porque não têm dinheiro, mas é possível começar com pouco e crescer com o passar do tempo”.

Zoomly, a Uber de Cabo Verde

Em dezembro do ano passado lançou uma empresa, a Go Zoomly, uma app semelhante ao Uber. “A Zoomly está a ir melhor do que eu esperava porque está a crescer depressa”, confessa.

A ideia de apostar num aplicativo para transporte de passageiros surgiu por acaso, recorda o empreendedor. Como vive num bairro da capital onde raramente passam táxis viu uma oportunidade de negócio. “É difícil parar algo que as pessoas querem usar”, diz.

Inicialmente, o aplicativo surgiu para o uso exclusivo de táxis, mas atualmente permite que condutores privados se inscrevam no aplicativo para fazer o transporte de clientes, este facto levou com que a Associação de Táxis da Praia acusasse a plataforma que promover a ilegalidade, mas numa conferencia de imprensa António DePina estranhou esse posicionamento da associação.

A ambição do mentor é expandir o uso do aplicativo para outras ilhas, nomeadamente, Sal e São Vicente, e também lançar um serviço de entregas, pequenas iniciativas de negócio que no entender de António vão permitir a pessoas individuais também ganhar um dinheiro extra.

Apesar das margens de lucro serem ainda quase inexistentes, o jovem acredita que daqui a cinco ou 10 anos a Zoomly vai conseguir gerar mais empregos, que, segundo António, num país como Cabo Verde são precisos, principalmente para os jovens recém-licenciados.

A residir há cerca de um ano em Cabo Verde, país que só conheceu em 2021, confessa que sente saudades dos Estados Unidos, mas para já não cogita mudar-se do arquipélago e afirma que se sente em casa. “O bom de ter crescido fora é que consigo ver o que falta (oportunidades de negócio)”, diz entre risos.

António alega que outros descendentes de cabo-verdianos deveriam regressar ao país e apoiar no desenvolvimento do arquipélago.

“‘Não vás para Cabo Verde’ ou ‘Não vás iniciar o teu negócio lá’, esta é a mentalidade de alguns cabo-verdianos na América, mas não tem nada a ver com o que encontrei cá. Não os culpo porque é o que veem nas notícias, etc.”.

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