Yanick Duarte, o campeão europeu de Jiu-Jitsu que carrega a bandeira de Cabo Verde

Tem 37 anos e começou a lutar há cinco anos por influência de amigos. Apesar da sua carreira ter começado um pouco mais tarde do que o habitual, já conquistou várias medalhas, inclusive uma de ouro no Campeonato Europeu de Jiu-Jitsu que aconteceu este ano em Espanha.

Yanick Duarte é natural da ilha de São Vicente e reside há 11 anos em Inglaterra, país onde começou a praticar Jiu-Jitsu por influência de amigos. Em entrevista ao Balai, o faixa roxa diz que nunca foi amante do desporto de uma forma geral e que nunca pensou que um dia iria competir mundialmente.

“Sempre fui um pouco preguiçoso em termos do desporto. Cheguei a praticar Bodyboard em São Vicente, por incentivo dos meus amigos, mas nada de especial. Nunca pratique algum tipo de desporto de forma séria, apenas coisas pequenas e sem relevância”, conta.

Há cinco anos passou a ver o desporto com outros olhos. “Mudei de trabalho e não conseguia ir para o ginásio fazer o meu exercício físico. (…) O amigo Juary Dupret e o meu cunhado Vasco Lobo, que são praticantes de Jiu-Jitsu, sugeriram-me que experimentasse esta modalidade. Experimentei, foi bom e fiquei até hoje”.

Apesar de ter começado no Jiu-Jitsu um pouco mais tarde que o habitual – aos 32 anos – Yanick diz que isso não o prejudicou.

“Há pessoas que praticam a modalidade desde os 4 anos, mas a minha idade não me afetou. Foquei-me na modalidade, treinava muito e isso ajudou-me a aprender as coisas rapidamente”, diz e lembra que quando começou a treinar o seu mestre ficou admirado com a sua base, algo que diz que adquiriu nas brincadeiras que fazia quando criança na cidade do Mindelo. “(…) Só pelo facto de ter crescido em Cabo Verde, acaba por criar uma resiliência diferente das crianças na Europa. (…) A minha infância foi crucial sem pensar no Jiu-Jitsu.”
Atualmente, a modalidade faz parte da rotina de Yanick, que trabalha na área de gestão e manutenção de um parque de diversão em Inglaterra. “Sinceramente, agora digo que não mudaria para nenhum país que não tenha essa modalidade. Faz parte da minha vida. Acordo às 06h00 da manhã para ir treinar. Para mim, o Jiu-Jitsu é um hobby que levo com alguma seriedade.”

Além da rotina de treinos regulares, Yanick prima por uma alimentação saudável. “Normalmente, tento comer saudável. Não faço nenhuma restrição durante os tempos normais. mas quando vou participar de alguma competição aposto numa alimentação saudável e em mais treinos.”

Ao longo desses cinco anos a praticar Jiu-Jitsu, o mindelense já participou em várias competições e já conquistou uma medalha de bronze (2019), duas de prata (2018 e 2019) e uma de ouro no Campeonato Europeu de Jiu-Jitsu que aconteceu este ano (2022) em Espanha.

“A primeira medalha de prata que ganhei foi no Europeu em 2018. Fiz cinco lutas e cheguei à final. Não estava à espera de chegar tão longe, visto que eram 27 atletas na minha categoria e tinha acabado de receber a faixa azul. Fiquei desorientado na final, empatamos e quando há empate em jiu-Jitsu o árbitro decide quem é o vencedor. Acabei por ficar em segundo lugar”, conta e diz que antes já tinha sido campeão inglês e britânico.

Em 2019, voltou a participar da competição com vontade de vencer, mas fraturou o pé e ficou novamente em segundo lugar. No mesmo ano participou no mundial em Abu Dhabi e conquistou a medalha de bronze. “A competição em Abu Dhabi foi a mais difícil, uma vez que participaram atletas de todas as partes do mundo.”

Este ano (2022), o faixa roxa foi campeão europeu de Jiu-jitsu. “A medalha de ouro era algo que almejava há muito tempo. (…) Cheguei no top da Europa nessa modalidade. Ou seja, para mim é o reconhecimento que fui o melhor”, diz e revela que não é preciso ser europeu para competir neste campeonato.

Sempre faz questão de subir ao pódio com a bandeira de Cabo Verde. “Levo a bandeira para o pódio por dois motivos: primeiro, porque sou cabo-verdiano e segundo, para fazer publicidade da nossa terra, uma vez que vivemos do turismo”, explica e diz que está inscrito em todas as federações com a nacionalidade cabo-verdiana.

Jiu-Jitsu, uma modalidade que com apoio dá frutos

Questionado sobre se já chegou a ter apoio financeiro de Cabo Verde para participar nas competições, o atleta diz que não. “O Instituto do Desporto e da Juventude (IDJ) já chegou a entrar em contacto comigo, mas só para parabenizar-me e mostrar disponibilidade em fazer algo em Cabo Verde.”

Segundo Yanick, o Jiu-Jitsu é uma modalidade que dá frutos desde que tenha apoio. “O Jiu-Jitsu pode vir a ter uma relevância no desporto em Cabo Verde. É uma modalidade que pode ter várias vertentes. (…) Neste momento, na Inglaterra vários agentes da polícia estão a treinar Jiu-Jitsu. Ou seja, se regressar a Cabo Verde posso ser treinador de agentes da polícia, por exemplo. Tens a oportunidade de ter um emprego e não ser apenas um atleta, mas para isso é preciso apoio”, diz e realça que já é altura de criar uma federação dessa modalidade no país, visto que já tem cerca de 4 escolas.

No que tange aos próximos objetivos, o atleta diz que está focado no campeonato inglês que acontece no final deste mês (novembro), no Europeu, no Mundial previsto para o próximo ano, bem como em atingir o nível mais alto do Jiu Jitsu – Faixa preta. “Estou próximo da faixa castanha e dentro de três anos serei graduado com a faixa preta”.

Futuramente, Yanick pretende regressar ao país e apostar nessa modalidade. “Se regressar trago comigo o Jiu-Jitsu (risos).”

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