Antes de pedir crédito, prepare a sua empresa: o financiamento começa  muito antes do banco 

Quando uma empresa vê uma oportunidade para crescer, investir em novos equipamentos, expandir operações ou reforçar a tesouraria, é natural que o crédito bancário surja como uma das primeiras soluções.

No entanto, muitos empresários chegam ao banco convencidos de que a decisão dependerá essencialmente das garantias que conseguem apresentar ou da relação que mantêm com a instituição financeira. Na prática, o processo começa muito antes disso.

A obtenção de financiamento resulta, em grande medida, da qualidade da gestão da empresa, da organização das suas contas e da capacidade do empresário para demonstrar que conhece o seu negócio e sabe como o investimento irá gerar valor. Como se costuma dizer no setor financeiro, o crédito não é apenas uma questão de confiança. É, acima de tudo, uma questão de credibilidade.

O banco não financia apenas uma necessidade

Quando um banco analisa um pedido de financiamento, a pergunta principal não é “quanto dinheiro a empresa precisa?”. A verdadeira questão é outra: “esta empresa terá capacidade para reembolsar este crédito?”

Para responder a essa pergunta, a instituição financeira procura compreender três aspetos fundamentais: se o negócio é economicamente viável, se o investimento proposto faz sentido e se quem está à frente da empresa demonstra capacidade para o executar.

Isto significa que um bom projeto não se resume a uma boa ideia. Precisa de apresentar objetivos claros, um investimento devidamente fundamentado, uma estimativa realista de receitas e custos, uma previsão de fluxo de caixa e uma estratégia consistente para cumprir as obrigações financeiras.

Muitas propostas acabam por não avançar porque deixam perguntas essenciais por responder. O banco precisa de perceber para que será utilizado o financiamento, de que forma esse investimento irá gerar retorno e quais serão as fontes de receita que permitirão pagar as prestações.

Bons projetos começam com bons números

Existe um equívoco frequente entre pequenas e médias empresas: acreditar que basta apresentar entusiasmo e conhecer bem o mercado para convencer um banco.

A experiência mostra exatamente o contrário.

Um projeto sólido assenta em informação objetiva e verificável. Antes de solicitar financiamento, a empresa deve ser capaz de justificar o montante pretendido, explicar detalhadamente como os recursos serão aplicados e demonstrar o impacto esperado na atividade.

Mas há um elemento que muitas vezes faz a diferença: a análise de risco.

Nenhum investimento decorre exatamente como previsto. Por isso, um plano credível não apresenta apenas o cenário ideal. Também demonstra que o empresário refletiu sobre possíveis dificuldades e sabe como reagir caso as vendas fiquem abaixo do esperado, os custos aumentem ou os clientes atrasem pagamentos.

Mais do que otimismo, os bancos valorizam preparação.

O empresário também está a ser avaliado

Embora a documentação seja essencial, ela representa apenas uma parte da análise.

Durante as reuniões de financiamento, o próprio empresário passa a ser objeto de avaliação.

As perguntas colocadas pelo banco procuram perceber se o promotor conhece verdadeiramente o seu negócio. Quem são os seus clientes? Quais são as principais fontes de receita?

Como evoluíram as vendas? Quais são os custos fixos? Quanto tempo demora a receber dos clientes? Qual é a margem do negócio?

Responder a estas questões com segurança transmite confiança.

Pelo contrário, quando o empresário demonstra desconhecimento dos indicadores fundamentais da empresa, cria a perceção de que as decisões podem estar a ser tomadas com base na intuição e não em informação de gestão.

Naturalmente, ninguém espera que um empresário desempenhe o papel do contabilista ou do diretor financeiro. Mas espera-se que conheça os números que sustentam as decisões estratégicas do seu próprio negócio.

Contabilidade organizada é uma vantagem competitiva

Para muitas empresas, a contabilidade continua a ser encarada apenas como uma obrigação fiscal.

Essa visão está longe da realidade.

As demonstrações financeiras constituem um dos principais instrumentos utilizados pelos bancos para avaliar o risco de crédito. Quando os documentos contabilísticos apresentam incoerências ou não refletem a realidade da empresa, a confiança diminui imediatamente.

Se as vendas declaradas não correspondem à movimentação bancária, se existem discrepâncias entre os mapas financeiros e a atividade efetiva ou se a informação contabilística está desatualizada, qualquer processo de financiamento fica naturalmente mais difícil.

Por outro lado, empresas com contabilidade organizada, informação consistente e indicadores atualizados conseguem negociar em melhores condições.

Mais do que cumprir uma obrigação legal, manter contas fiáveis significa construir credibilidade junto das instituições financeiras.

O melhor momento para preparar o crédito é antes de precisar dele

Um erro frequente consiste em procurar financiamento apenas quando surgem dificuldades de tesouraria.

Nessa fase, a margem de negociação tende a ser menor e a empresa encontra-se frequentemente sob maior pressão financeira.

O cenário ideal é precisamente o contrário.

As empresas devem cultivar uma relação contínua com o banco, apresentar regularmente informação financeira fiável e preparar antecipadamente os projetos que pretendem desenvolver. Quando surge uma oportunidade de investimento, grande parte do trabalho já estará feita.

Esta preparação não aumenta apenas a probabilidade de aprovação do crédito. Também permite negociar melhores condições de financiamento, prazos mais adequados e soluções ajustadas às necessidades reais do negócio.

O crédito deve apoiar o crescimento, não resolver problemas de gestão

O financiamento continua a ser um instrumento essencial para o desenvolvimento das empresas. Permite investir, inovar, aumentar capacidade produtiva e aproveitar novas oportunidades de mercado.

Mas o crédito, por si só, não resolve problemas de organização, planeamento ou gestão.
Uma empresa financeiramente organizada, que conhece os seus números, prepara bem os seus projetos e comunica com transparência transmite uma imagem de confiança muito superior à de quem procura financiamento apenas em situações de urgência.

É essa credibilidade que faz a diferença.

Negociar crédito começa na forma como a empresa é gerida todos os dias, muito antes de se entrar no banco.

A BTOC Consulting exerce atividade essencialmente na área da consultoria financeira, fiscal e de recursos humanos, com um leque alargado de clientes das mais diversas áreas e com uma equipa de consultores multidisciplinares. A BTOC está presente em Angola, Brasil, Cabo Verde, China, Espanha, Moçambique e Portugal.

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