A doença tropical “noma” destrói o rosto e a psique

O noma é uma doença infeciosa que atinge milhares de pessoas todos os anos em África. Se não for tratada, destrói a pele e os ossos do rosto em poucos dias, levando à morte cerca de 90% dos doentes, na maioria crianças.

O noma começa, geralmente, por uma inflamação nas gengivas que, rapidamente, se espalha pelo rosto – afetando os lábios, os músculos faciais, os maxilares, as bochechas e o nariz.

Amina tem 18 anos e lembra o dia em que se apercebeu que estava infetada por esta doença: “Na altura, eu sentia-me em baixo, como se tivesse febre. Depois, as minhas bochechas começaram a inchar. Quando pus a mão na cara, senti que uma parte estava mole e comecei a chorar. Toquei nas minhas bochechas e senti que se tinha formado um buraco”.

O noma é causado por várias bactérias e atinge principalmente crianças com menos de sete anos. Em África, a Nigéria o país mais afetado. Estima-se que existam 140 mil novos casos por ano.

Apesar de não se saber ainda quais as causas para o aparecimento desta doença, os investigadores acreditam que a desnutrição e a falta de higiene oral são dois fatores que enfraquecem o sistema imunitário das crianças, facilitando o estabelecimento das bactérias.

No entanto, e quando detetado atempadamente, o noma é tratável com antibióticos. É esta a única forma de travar as lesões graves provocadas por esta doença que leva, em muitos casos, a desfigurações, por exemplo, na boca e no nariz. Muitos doentes têm dificuldade em comer, beber ou falar.

Noma, uma doença tropical negligenciada

A estas dificuldades, acresce a vergonha. Há crianças que deixam de ir à escola com medo de serem discriminadas.

No hospital de Noma, em Sokoto, na Nigéria, as coisas são diferentes, garante a enfermeira alemã Fabia Casti. “As crianças podem sair à rua, brincam umas com outras crianças, divertem-se. Por vezes, nem nos apercebemos que estas crianças têm noma e sobreviveram”, conta.

O tratamento inicial no hospital demora entre quatro e seis semanas. Depois, explica Fabia Casti, os doentes têm normalmente de esperar um a dois anos até poderem ser colocados na lista de operações para corrigir deformações graves.

Segundo Casti, “as operações realizam-se três ou quatro vezes por ano. Para isso, reúne-se uma equipa de cirurgiões e anestesistas internacionais. Da última vez, tivemos cerca de 40 doentes em duas semanas”.

No final do ano passado, a Organização Mundial de Saúde (OMS) colocou o noma na lista das doenças tropicais negligenciadas, o que dará, não só mais atenção à doença, como recursos financeiros que podem ser dedicados à investigação.

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