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O político moçambicano Venâncio Mondlane afirma que a atual vaga de xenofobia não pode ser imputada apenas à África do Sul e apela a uma resposta coordenada no continente.

Venâncio Mondlane diz que não se pode responsabilizar apenas a África do Sul pela atual onda de xenofobia no país.
Numa nota divulgada esta segunda-feira, na véspera do prazo dado por grupos anti-imigração sul-africanos a imigrantes indocumentados para abandonarem a África do Sul, Mondlane aponta falhas na gestão deste dossier a nível continental.
“A África do Sul está a pedir fronteiras fechadas, é um facto. Não podemos apontar um dedo à África do Sul enquanto quatro apontam para nós. Nenhum país consegue gerir hospitais, escolas e empregos se as suas leis forem quebradas ou ignoradas. Isso é governação. Cada sul-africano, de Mamelodi aos Cape Flats, tem o direito de exigir um sistema que funcione”, afirmou.
Mondlane alertou que existe também um outro lado do problema: Enquanto muitos defendem fronteiras abertas no continente, vários países vizinhos da África do Sul enfrentam graves dificuldades internas. Na sua perspetiva, uma abertura total das fronteiras nestas condições pode aumentar a pressão sobre a África do Sul, atraindo pessoas de regiões em crise para o único com maior estabilidade relativa.
“Devemos trabalhar com a África do Sul, não lutar contra ela, para aliviar parte desse peso. A resposta tem de ser nos dois sentidos: Corrigir o sistema de imigração da África do Sul e corrigir os Estados fragilizados ao lado”, defendeu.
O líder da Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA) apelou ainda aos moçambicanos residentes na África do Sul para que priorizem a sua segurança face à atual onda de violência. Recomendou que aqueles que tenham condições para sair do país o façam, independentemente da sua situação documental, sublinhando que a vida deve prevalecer sobre qualquer formalidade.
Para os que não tiverem alternativa senão permanecer, o político aconselhou cautela redobrada, evitando deslocações desnecessárias e zonas consideradas de maior risco, como Joanesburgo, Durban e Cidade do Cabo.








