Angola: Governo satisfeito com desempenho económico do país

À DW, secretário de Estado para o Trabalho de Angola, Pedro Filipe, diz que economia está a melhorar devido a “opções avisadas” do Governo e à alta do preço do petróleo. Durante a pandemia, país perdeu 200 mil empregos.

A economia angolana está a progredir, fruto da melhoria dos preços de petróleo no mercado internacional e das medidas “corretas e corajosas” tomadas pelo Executivo chefiado por João Lourenço, diz o secretário de Estado para o Trabalho e Segurança Social, Pedro Filipe, em entrevista exclusiva à DW África.

O governante anunciou que, durante a última legislatura, foram perdidos quase 200 mil postos de trabalho, entre 2020 e 2021, devido à conjuntura internacional provocada pela pandemia da Covid-19. Mas para reduzir o impacto junto das famílias mais carenciadas, o Governo angolano lançou o Programa da Reconversão da Economia Informal, e mais de 200 mil atores da economia informal foram formalizados, assegura Filipe.

À DW África, o secretário de Estado sublinha os esforços do Governo angolano para inverter o fraco desempenho económico do país.

DW África: Como descreveria o impacto da pandemia da Covid-19 na taxa de desemprego de Angola?

Pedro Filipe (PF): À semelhança de muitos outros países, em 2020 e no princípio de 2021, a economia angolana sofreu um arrefecimento extraordinariamente anormal. É dali que parte dos empréstimos que tinham sido gerados foram perdidos. Se fizermos o balanço de empregos destruídos entre 2020 e 2021, estão ali na ordem dos 190 mil, quase 200 mil empregos. Portanto, não foram destruídos 500 mil empregos.

Mas isto, tal como referi, foi fruto da conjuntura internacional, e aquilo que eram os sinais tímidos de retoma que vínhamos testemunhando acabaram por ficar anulados devido ao efeito da pandemia.

DW África: É possível fazermos, muito por alto, uma análise da variação da taxa de empregabilidade ou da taxa de desemprego ao longo destes cinco anos?

PF: Estamos a observar uma curva ascendente no que diz respeito à geração de emprego e, neste caso, no que diz respeito à taxa de variação de emprego. Todavia, não nos podemos esquecer dos problemas estruturais. Nós tivemos um défice comercial da balança de pagamentos na ordem de 7,5 mil milhões de dólares. Nós tínhamos um endividamento muito grande, que correspondia a qualquer coisa como 130% do PIB nacional. Nós estivemos a empobrecer durante cinco ciclos consecutivos e é normal que a taxa de desemprego pudesse ser um reflexo direto da desaceleração do crescimento do país.

Todavia, felizmente, as coisas começam a melhorar, fruto das opções avisadas que o Estado angolano tomou e da execução muito correta do programa de ajustamento económico e financeiro que fizemos ao abrigo da supervisão do Fundo Monetário Internacional (FMI). E fruto da melhoria dos preços de uma das nossas melhores matérias-primas, que é o petróleo.

DW África: Que medidas foram criadas para estas pessoas que perderam o emprego durante a pandemia?

PF: Há um programa ambicioso, que é o programa de reconversão da economia informal. Este programa acabou por permitir que mais de 200 mil atores da economia informal pudessem ser formalizados.

DW África: De que forma é que o seu Ministério atuou nas áreas periféricas?

PF: O PAPE [Plano de Ação para Promoção da Empregabilidade] teve uma abrangência nacional. Fomos a todos os 64 municípios, percorremos o país. Permitimos que os beneficiários criassem as suas próprias empresas. Tivemos perto de 83 mil beneficiários diretos, entre as iniciativas do microcrédito, dos estágios profissionais e de atribuição de kits, e estamos muito encorajados com os resultados atingidos.

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