Cimeira da NATO: EUA anunciam mais defesa aérea para a Ucrânia

Os EUA vão fornecer defesas aéreas adicionais à Ucrânia, anunciou ontem Joe Biden na abertura da cimeira da NATO em Washington. Um encontro centrado no apoio a Kiev contra a Rússia e no rearmamento dos países europeus.

“Hoje anuncio uma doação histórica de equipamento de defesa aérea à Ucrânia”, anunciou Joe Biden. “O Presidente russo, Vladimir “Putin não parará na Ucrânia, mas a Ucrânia pode parar e parará Putin”, acrescentou.

EUA, Alemanha, Países Baixos e Roménia vão fornecer à Ucrânia quatro sistemas de defesa aérea Patriot nos próximos meses, enquanto a Itália fornecerá um sistema SAMP-T, respondendo assim aos principais pedidos que Kiev vinha fazendo.

“Estamos empenhados em fornecer à Ucrânia capacidades adicionais de defesa aérea, à medida que esta se defende contra a agressão contínua da Rússia, incluindo os ataques deliberados da Rússia às cidades ucranianas e às infraestruturas civis e críticas”, segundo um comunicado divulgado pela Casa Branca.

O anúncio ocorre num momento crítico na defesa da Ucrânia contra a invasão da Rússia, um dia após ataques mortais russos que devastaram o maior hospital pediátrico do país.

NATO celebra 75 anos

O segundo dia da cimeira da NATO arranca esta quarta-feira em Washington, nos EUA. Trinta e dois chefes de Estado e de Governo estão reunidos desde ontem na capital norte-americana, num encontro centrado no apoio à Ucrânia contra a Rússia e no rearmamento dos países europeus.

Nesta cimeira, os membros da aliança também celebram o aniversário de 75 anos da organização, fundada em 1949, quatro anos após o fim da 2a. Guerra Mundial, para responder às necessidades de Defesa dos seus membros.

Mais de sete décadas depois, o seu atual secretário-geral, Jens Stoltenberg, descreve a NATO como a “aliança mais bem sucedida e mais forte da história”.

“Nós celebramos a nossa aliança esta semana – o aniversário de 75 anos. E temos bons números. 23 aliados estão agora a gastar pelo menos 2% do PIB em Defesa, em comparação com apenas três aliados quando fizemos o compromisso em 2014”, destacou.

Desde a invasão russa da Ucrânia, em 2022, a NATO encontrou uma nova força e respondeu de forma decisiva à guerra à sua porta. Os seus membros aumentaram o apoio militar e financeiro à Ucrânia, que não é membro da aliança, mas que nunca escondeu o interesse em tornar-se parte do grupo.

Sobre isso, após mais de dois anos de guerra, ainda não há uma resposta positiva. Mas os membros da NATO continuam a apoiar a Ucrânia na guerra contra Rússia, mesmo sem enviar suas tropas para o terreno.

Um pacote de apoio à Kiev deverá fixar uma ajuda dos aliados em 40 mil milhões de euros por ano. E implicará ainda que a aliança assuma a tarefa de coordenar a ajuda militar que o país recebe para se defender da invasão russa. Também estão previstos treino das suas forças através de um comando liderado por um general e com cerca de 700 pessoas a trabalhar numa sede da NATO na Alemanha.

O papel da Alemanha

Para a Alemanha também estão voltados parte dos holofotes nesta cimeira. Espera-se desse país um papel central para a estabilização europeia. Mas a Alemanha está pronta para liderar a Europa na NATO? Os aliados no continente estão confiantes que sim.

“Não consigo imaginar que a Alemanha não se torne uma nação líder em termos de segurança conjunta da Europa e da Polónia”, disse o primeiro-ministro da Polónia, Donald Tusk.

E a Alemanha já está a fazer muito. Na sequência do ataque russo à Ucrânia, o chanceler Olaf Scholz declarou um “ponto de viragem” na política de Defesa alemã. Desde o fim da II Guerra Mundial, o país não tinha tantos gastos militares como agora: é o segundo maior apoiante militar da Ucrânia, após os EUA.

A Alemanha tenta manter-se fora do campo de batalha, ao mesmo tempo que fornece ajuda financeira. Criou um pacote de defesa adicional de 100 mil milhões de euros e, este ano, cumpre o objetivo de despesa da NATO de 2% do Produto Interno Bruto (PIB).

O país também está a enviar uma brigada para a Lituânia com objetivo de ajudar a defender o flanco oriental da NATO contra a Rússia. Para o chanceler alemão Olaf Scholz, “a segurança continua a ser claramente uma questão central.”

Também por este motivo a cimeira da NATO em Washington, que decorre até quinta-feira (11.07), poderia ser uma boa oportunidade para enviar um sinal de segurança, força e unidade dos seus aliados.

Outro tema ameaça ofuscar o encontro: a política interna norte-americana em ano de eleições e uma eventual vitória do candidato republicado Donald Trump face à ansiedade de saber se o Presidente Joe Biden ainda está apto para o cargo.

Muitos europeus temem o regresso de Trump à casa Branca. Durante o seu mandato, Trump criticou repetidamente a NATO e ameaçou exigir dinheiro aos europeus pela proteção fornecida pelas tropas americanas ali estacionadas. Há alguns meses, chegou mesmo a dizer, durante uma aparição na sua campanha, que a Rússia podia fazer “o que bem entendesse” aos países da NATO que gastassem menos de dois por cento em Defesa.

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